terça-feira, 8 de abril de 2008

Ser ou não Ser... (W. Shakespeare)

Ser ou não ser, eis a questão. O que é mais nobre? Sofrer na alma... As flechas da fortuna ultrajante
Ou pegar em armas contra um mar de dores
Pondo-lhes um fim? Morrer, dormir, nada mais; e por via do sono pôr ponto final
Aos males do coração e aos mil acidentes naturais
De que a carne é herdeira, num desenlace
Devotadamente desejado. Morrer! Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação; porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos. Uma vez fora da confusão da vida? É isso que nos obriga a reflectir: é esse respeito. Que nos faz suportar por tanto tempo uma vida de agruras. Pois quem suportaria as chicotadas e o escárnio do tempo. As injustiças do opressor, as afrontas dos orgulhosos, a tortura do amor desprezado, as demoras da lei, a insolência do oficial e os pontapés... Que o paciente mérito recebe do incompetente... Quando o próprio poderia gozar da quietude...
Dada pela ponta de um punhal? Quem tais fardos suportaria... Preferindo gemer e suar sob o peso de uma vida fatigante...A não pelo medo de algo depois da morte... Esse país desconhecido de cujos campos... Nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade... E nos faz suportar os males que temos... Em vez de voar para o que nãoconhecemos? Assim a consciência nos faz a todos cobardes... E assim as cores nascentes da resolução
Empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento... E os planos de grande alcance e actualidade... Por via desta perspectiva mudam de sentido... E saem do reino da acção.

William Shakespeare

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