sábado, 12 de abril de 2008

Sinestesia...


Alguém está cantando em silêncio...
Ninguém ouve?
Ledo engano!
D'um canto penumbroso, ali está um "surdo" que aprecia com rigozijo a canção!
Como folhas pela brisa a flutuar...
Como pétalas que pairam suavemente pelo ar; d'um pássaro que alça magnífico vôo...
Notas a ecoar pelas paredes do silêncio...
A ausência da dor!
Música do não dito!
Canção para os que não conseguem ouvir o que se diz pelas esquinas e bares.
Para aqueles que não assistem TV.
Para quem não ouve rádio...
Alguém está desenhando no vácuo com gestos pelo ar...
Ninguém vê?
Oh! como se engana quem assim pensa!
Um cego aprecia com júbilo a paisagem que se forma.
Sinuosos traçados junto à brisa a passear...
Entre os dedos do maestro da mais bela pintura que
já se "ouviu contemplar"!
Sinestesia a bailar!
Sensações...
Alguém entende?!

A quem decifrar, um brinde de congratulação em cálice de
bom vinho de consentimento!

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