sábado, 30 de agosto de 2008

Autobiograficamente falando: As duas Águias


Um dia uma águia encontrou outra águia num distante galho de carvalho.
Foi uma longa e cansativa viagem até encontrá-la, pois procurava por um perfeito par para voar daquela vida solitária.
Mas independente das eventualidades e tribulações, finalmente havia encontrado o tesouro de seu coração.
Lá, naquela árvore tão distante dos domínios de sua virtuosa visão, havia encontrado a única capaz de fazer estremecer as penas de suas asas e alcançar verdadeiramente seu coração.
Era inacreditável que suas emoções fossem tão fortes ao ponto de tocá-la "daquela maneira", e que seu pessimismo passado estivesse tão equivocado ao ter, por um momento, convencido seu sonho a desanimar de procurar.
Fora difícil voar até aquele lugar, próximo das grandes montanhas e desfiladeiros.
Mas que importa a altura para uma águia? Pássaro feroz, ser pertencente ao ar, onde flutuam as nuvens.
Ela Cruzou de oeste a leste em busca de um sonho, um único sonho. Pois para ela, não importava a distância, e se fosse para encontrar o que procurava, não importava se a distância fosse mil vezes a distância do sol à terra...
Mas infelizmente este tesouro parecia ser muito caro para ser levado embora dali.
Seu preço era, estranhamente, complexo de se pagar. E por isso era "caro"!
Não se sabia para "quem" deveria ser pago, ou com "o quê" deveria se pagar o seu sonho.
Mas era uma ave tão linda quanto o é a beleza da natureza nas coisas não tocadas pelas gananciosas mãos humanas.
O que fazer? (Pensava a primeira águia).
Quando se sente confuso sobre os rumos a serem tomados após metade do sonho ter se realizado?
Então a águia sentiu a tristeza se materializar em suas penas, e começou a perder a vontade de voar..
De voltar para o oeste...
De cruzar os céus novamente e de tocar o azul profundo...
De sentir a brisa, e as nuvens que flutuam suavemente...
Ela havia encontrado (naquela) uma perfeita companheira de vôo para cruzar o horizonte de todos os tipos de sonhos. E agora, estava sem rumo em seu coração, pois ela se sentia completamente perdida. Seria obra do destino? O acaso? (Não parava de pensar)...
Quem ousaria lhe tirar o sossego? O sonho? Por que justo quando havia encontrado o seu maior sonho, estava sentindo um vazio estranho? Algo lhe faltando para completar seu coração...

E aquela águia?... Que em seu olhar, aquele de quem também voa alto em pensamentos, um olhar de rapina, ela queria estar voando junto?!... Por que, se ela também queria seguir para o "Rumo dos Sonhos", mas ao mesmo tempo, preferia permanecer naquele galho, sozinha a se banhar dos raios solares e a balançar pelo vento?!?
Por quê?
Que motivo barraria-lhe as asas de alçar alto vôo pelo céus juntos?
Não havia razão naquilo tudo...
E após dizer que preferia ali permanecer, ainda dizia baixinho, "queria voar..."
"queria bater minhas asas junto a ti"...
Por que?
Será que estaria despreparada para riscar o céu?
Será que temia as alturas?
Não! Havia precipitações, isto estava subentendido...
Mas assim ficou, até que a primeira águia ficou voando em círculos, sem saber o que fazer...
Rodeava e meditava... Pensando nos porquês...
Mas uma coisa era certa para ela, acima de tudo (e isto ela queria deixar para o objeto do seu sonho 'encontrado', seu verdadeiro amor) :
"Não importa o tempo, se um dia saltar deste galho, e quiser olhar para lá,
Lá onde o mar dança e se mistura ao horizonte, profundamente azul...
Não importa o quanto a chuva castigue as páginas deste livro...
Não importa o quanto o inverno demore, ou nem que a primavera resolva não trazer flores para alegrar nossos olhos de rapina...
Não importa o quanto nossos corações estejam encharcados de lágrimas...
Queria que soubesse que meu vôo seria muito mais feliz, se pudesse sentir a tua presença e o teu perfume pelo ar, enquanto voasse rumo ao oeste...
Ou poderíamos encontrar, no norte, o melhor para nós dois...
Duas águias voando pelo céu...
Tenho certeza...
Saltei...
Voei...
Mas se você não souber dar o rasante, se não souber caçar, se não souber procurar pelos melhores ares, pelo Solstício de verão...
Eu também confesso que não sei ao certo...
E por isto, estou novamente guardando minhas asas para esperar a primavera...
Eu sei que você está esperando pela sua estação...
No seu jardim há a flor que você mais aprecia sentir o perfume...
Eu sei...
Eu vi, desde quando estava viajando para perto de ti...
Desde quando pensava encontrar alguém "nesta" direção...
Meu amor..."



E assim ela pousou...
Não se sabe onde está agora...
Mas está com suas garras num galho, com certeza...
Como toda águia faz...
Galhos de esperança!

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