terça-feira, 19 de agosto de 2008

O Crepúsculo de Um Sonho


Quando ele se adentrou no sonho de escalar aquela montanha, o sol despontava no horizonte.
Era uma linda manhã de primavera e as flores dançavam ao sabor da doce brisa suave.
Conforme ia escalando, o dia se passava rapidamente, como se corresse contra o relógio.
Entre pedras e arbustos espinhosos caminhava lentamente; hora ansioso pelo topo, hora paciente pela jornada.
As vezes olhava para o alto, na esperança de conseguir enxergar o destino que o aguardava lá em cima, mas tudo o que suas vistas alcançavam era nuvens e mais nuvens, o que de certa forma abalava seu coração... A incerteza de um sonho.

E eis que chegara ao topo, onde se deparou com imensa exaustão, contemplando, ofegante pelo pesado ar rarefeito das alturas, o que jazia ali no cume.
Por mais que observasse, não sabia o que estava sentindo, apesar da ansiedade em ter chegado ao seu destino, e o dia já estava acabando.
Ao redor, tudo o que encontrava "ainda" era um mistério, um lastimável enigma do cerne da montanha.
Brumas que pairavam por uma espécie de gramado verde acizentado. Flores de cores nunca antes vistas por olhos humanos; e tudo ali era indecifrável.
Assim, como se sentia perdido de seu objetivo, seu sonho, ele decidiu descer novamente.
Mas antes, esperou um tempo, pois já estava para anoitecer e, pelo menos o pôr do sol seria algo certo ali. A sua melhor visão do dia, desde quando contemplou aquela aurora pela manhã, um início de belo dia, agora, no crepúsculo de seu dia, lá, bem lá no topo do sonho de seu coração, jazia a vista para o pôr do sol.
E ficava lembrando de como o nascer é igual ao pôr do sol. Mas alguma coisa ainda abatia seu peito, algo apertava como uma corrente pesada. Sentia-se amarrado, atado da cabeça aos pés.
Por mais que tentasse entender porquê, nada adiantava.
Ele era paciente, era calmo, era virtuoso. Dizia de si próprio que era apenas um caçador de fortes emoções. Gostava de cultivar poemas, poesia, canções e muitas outras coisas.
Mas em sua própria crônica, ele não conseguia encontrar prazer.
E refletia: "realmente, as histórias dos outros sempre são mais emocionantemente boas!"...
Talvez não seja assim em verdade. Pode acontecer de sua própria estória ser melhor que a de muitos. Mas agora, o que ele quer é dormir um pouco, para "acordar" de um dia árduo e, assim, seguir em frente, em busca de caminhos mais felizes!

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