sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sobre O Casamento


Antigamente o casamento era efetuado de maneira mais rígida, mais burocrática, mais possessiva, enfim, mais difícil (pelo menos aparentemente) do que nos dias atuais.
A mulher, especificamente, era "prometida" para determinado homem através de uma decisão do pai, que, como "dono" da existência da noiva, tinha (ou a sociedade em si achava que tinha) o direito de decidir com quem, quando e onde a filha iria selar o seu matrimônio.
Contudo, esse negócio de casar com alguém por outros motivos que não por amor (da parte do noivo para com a noiva e vice-versa) gerava certas consequências de cunho não-amoroso (o que era paradoxo ao que vemos hoje em dia) que apenas levavam a sociedade, com um todo, a trilhar por rumos específicos: tanto na política, na mídia, na religião, na vida em si.
Naqueles tempos, o que era necessário para haver o casamento?
Simples: bastava que o pai (ou responsável, no caso deste primeiro ter vindo a falecer ou coisa parecida) encontrar um bom pretendente (bom no sentido de = rico em bens e finanças) que quisesse sua filha.
Assim os filhos nasciam mecanicamente, numa espécie de processo cíclico de uma ideologia fria, baseada na mesmice de: casar, trabalhar e, ter filhos para "levar a herança e o nome da família pela frente". O que gerava um povo, convenhamos, um tanto indiferente.
Hoje, o que é necessário pro tal do casório acontecer?
He he... basta o "desejo", o "querer", ou seja, é quase uma questão totalmente Volitiva.
Talvez por isso as pessoas de hoje estejam mais preocupadas com a situação conjugal, que fica a cada dia mais e mais distante da idealizada "naquela" época citada anteriormente; e meditem se é ou não necessário obter o matrimônio.
Não se pode descartar a visão "religiosa" da coisa. Uma vez que que a igreja sempre esteja vinculada com o termo "casamento".
"Homem e mulher se tornarão UMA só carne
". E era assim, no sentido de mais rigorosamente seguido, como as pessoas viam o casamento.
Há, é claro, diversos fatores que evidenciam as consequências de nossas atuais maneiras de agir perante a questão aqui tratada. Uma bem óbvia, remete às várias revoluções que o mundo contemplou nos últimos tempos.
Após a chegada das máquinas, com o advento da Revolução Industrial, nosso cotidiano mudou radicalmente, onde nos deparamos com um mundo de"opções", de escolhas para diversos fatores em nossa existência.
Como as opções geram muita ansiedade quando não se tem um foco objetivo, o que ocorre é que acabamos por sentir uma certa fadiga advinda da incerteza.
No casamento isto não se fez ausente (infelizmente).
Agora nos casamos por amor!
Mas é uma questão de "saber-escolher-o-melhor-par" para o resto de nossas vidas.
E como este fator de casar com quem quisermos, quando quisermos, e, se pudermos (financeiramente falando) como quisermos, o que ocorre é que o divórcio também se torna opcional, visto que casamos por escolha de nós mesmos.
Podemos nós, assim, escolher des-casar(?!)
...

Eh... complexo isto...
Sinto uma necessidade de uma revolução na perspectiva em relação ao casamento, para que possamos passar para um novo modelo de selarmos uma "parceria" biológica com alguém.
Afinal, é através (ou deveria ser) do casamento que as pessoas deveriam perpetuar a nossa espécie, e não como cães e gatos, por exemplo he he...
A igreja seria uma organização (ou, mais uma vez, deveria ser) que visa equilibrar o homem moralmente, eticamente, espiritualmente, e que deveria pautar o ser humano nesta perpetuação, controlando assim, os índices de nascimento.
Deveria ser uma escola da vida.
Mas há outros tópicos para isto vindouramente.

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