sábado, 18 de abril de 2009

Ionização Espelhal

Encolhido num canto da floresta
Próximo aos arbustos que envolviam a clareira
Chorava um garotinho de aparência de cinco anos
Estava envolvido num manto esverdeado, ao que parecia ser feito de lã
E entre seus soluços podia-se ouvir os gemidos de uma profunda dor incontida
Ele não conseguia dizer...
Uma pergunta foi a primeira coisa a quebrar o silêncio daquele ambiente:
- Por que você chora, garoto?
- snif! snif! snif!
A voz era retumbante como a de um trovão em noites de tempestade.
- Venha comigo, vou levá-lo a um lugar melhor!
Naquele instante a tarde já vinha caindo no horizonte sem nuvens.
O garotinho enxugou os olhos com o manto, e levantando os olhos contra a sombra que lhe tapava os raios que atravessavam as frestas das folhas, contemplou uma figura alta e mais parecida com uma grande árvore ou uma torre do que qualquer homem.
Era um senhor que aparentava ter cinquenta anos.
Ele sorriu de soslaio e virou-se repentinamente, como se aquele sorriso sugerisse que deveria seguí-lo.
O garotinho meio confuso levantou-se e, lentamente foi-se na direção em que o senhor ditava com seus passos firmes.
Acompanhava-o a uma certa distância pela estrada, até que enfim o homem parou de repente.
Sentou-se e recostou-se num grande carvalho; e tirando da bolsa que carregava um cantil deu um longo gole e descansou os olhos para o céu.
O fim daquela tarde estava ameno e tranquilo.
O garotinho havia se esquecido de seu choro por um momento.
A pergunta era o que estava acontecendo ali entre aqueles dois estranhos...
O velho...
O garoto...
Se olharam e...

Nenhum comentário: