quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Baile dos Sisos


As vezes é bom parar um pouco, respirar profundamente e, em silêncio profundo, contemplar a paisagem que a janela oferece do lado de fora.
As vezes é bom se perguntar sobre quem se é ultimamente. Se questionar sobre os passos já dados, ou as próximas tentativas já planejadas (ou não).
Sendo assim, quem tenho sido?
Um indiferente?
Um covarde?
Um valente?
Por que é difícil definir?
Por que não consigo lembrar de meu próprio rosto quando fecho os olhos, mesmo quando acabo de me olhar no espelho?
Por que não lembro o timbre da minha voz, mesmo quando acabo de fazer uma oração antes de dormir?
Por que não consigo definir certeiramente meus objetivos pro futuro?
Isto é normal?
Normal em que sentido?
Ou, se é anormal, independente da razão para tal, qual a solução para haver normalização?!
Quero entender-me!
Quero pulsar neste espaço que ocupo, qual estrela de brilho próprio.
Que este brilho seja a realização dos meus sonhos, alimentados em Deus, pela força Divina em concorde.
Entre defeitos e virtudes, abraço uma qualidade boa de meu espírito, e contemplo-a tal qual as pétalas de uma rosa, lamentando por ela viver ao lado de purulentas bactérias: meus defeitos como ser humano, como homem!
Só tenho a consolação de viver distraído pelas belas pétalas que o Senhor concebeu-me.
E junto a esse tesouro, contemplo outro de igual ou maior valor:
Um amor para lapidar. Um coração para compreender, fora de mim.
Uma mente para equalizar à minha...
Uma mente para sintonizar na frequência mútua de ideologias.
Um coração para entender-se, que é o meu, e outro para ser entendido, que é o teu.
Princesa, princesa do meu tempo presente...
Um lapso de tarde é efêmero demais para degustar o tempo ao teu lado.
Um fragmento de tarde ao teu lado é relâmpago por entre as nuvens carregadas de chuva para uma noite toda!
Seu cheiro que fica em meu "cativeiro lembrativo"... Ruminativo...
Sua idiossincrasia, indiferente à tantas coisinhas corriqueiras minhas, facetas de uma subjetividade que às vezes passeia em meu peito qual criança inocente de tudo...
Ah!
Pequeno lírio, ainda sinto saudades de um tempo que ainda não veio!
De momentos que ainda não passamos juntos:
Coisas simples...
Cenas de um filme romântico da realidade, que vez ou outra acomete os enamorados por ai...
Uma soneca num banco de praça, no colo do seu amor que lhe afaga os cabelos...
Um beijo-surpresa entre olhares esparsos...
Ah!... coisas assim.
Sinto a estação que ainda não veio...
Vejo a lenha para o fogo da lareira que ainda não crepita...
Vejo as taças cristalinas que ainda estão vazias do hidromel...
Mas há milhares de odres em nossas adegas...
Sim, amor...
O beijo de Eros pode despertar-se dos aposentos da inspiração...
Enquanto o império das acomodações se acomodam...
E o brilho das lanternas ideológicas ainda lampejam idéias mirabolantes em nossas cabeças...
Enquanto 50% do own-self é retido por questão de "tempo"...
Vivemos o baile dos sisos!



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