terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vitral Onírico


O quê?
"Alguém espia-me!" - ele diz inocentemente irônico.
Estava o meu pensamento a refletir-se neste espelho virtual; contemplando a si próprio, em seu reflexo, quando notou-se observado, como se sendo espionado.
"Alguém espia-me!" - ele bradejava contra as paredes de silêncio que encarceravam suas idéias.
Mas não era nada daquilo.
Ele apenas não tomava nota do que já havia decidido antes: prostrar-se nu diante do espelho sem receio de ser visto por alguns.
E realmente era visto.
E finalmente era isto: ele estava nu diante do espelho!
E como numa vitrina, lá estavam suas abstratas idéias mirabolantes, antes numa floresta virgem de pensamentos, agora postas à venda para si próprio tentar realizar. Estavam como num mosaico ideológico, lapidado pelo tempo de ociosas reflexões oníricas.
Ele estava sendo observado!
Mas queria mais!
Sim!
Que este pequeno espaço, onde nu ele cantarola e dança sozinho (acompanhado apenas de seus espiões gaiatos) se transforme num famoso palco de teatro. Donde poderá ser assistida a peça mais singular que uma massa encefálica já pode dramatizar. Que haja arquibancadas para todo tipo de pessoas se assentar. Que seja sublime o momento deste espetáculo onírico.
Pois ele descobre, a cada momento, em suas reflexões momentâneas: "eles precisam de um show!"
Sim, como se as almas humanas fôssem esponjas sedentas por uma boa substância líquida. Um néctar de prazer e entretenimento. E assim ele começou a arquitetar maneiras de saciar esta sede que assola o coração artístico da margem de espiões de plantão.
Mas...
O quê?
"Alguém ainda espia-me?!"

As vezes ele só quer ficar sozinho...
As vezes quer companhia...
As vezes não quer nem um, nem outro.
Apenas existir e o existir contemplar.
Pois desta sensação preenchidamente vazia, do existir em si, ele não consegue com par algum compartilhar!
Então, se for possível aos espiões da cena espelhal deste pensamento onírico compreender alguma coisa...
Grato ficará!



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