terça-feira, 6 de outubro de 2009

Libido


De repente, após os dois olhos se cruzarem por uns sete segundos, ele se levanta. Sai de sua mesa e caminha lentamente na direção daquele par de olhos que lhe retribuiam o foco.
Oitenta, Noventa, Cem pessoas, era uma espécie de festa formal. Cada um em sua atmosfera. Alguns a dois, a três, outros em grupos de mais de cinco pessoas, todos conversando.
O salão festivo parecia ter uns quarenta metros de comprimento por mais ou menos uns cinquenta de largura. A festa era acompanhada de um bom jazz, tocado pelos Blacks, a banda mais famosa da cidade.
Enquanto o evento percorria o início daquela noite, dois indivíduos se conheciam melhor:
- Posso me sentar?
- Só se você me responder por que os homens são tão patéticos!
- Wow! Deveria considerar isto como um "não"?
- Só se você não souber satisfazer minha dúvida, ai sim!
- Bem, então receio ter de corrigir tua afirmação quanto aos homens. E, entrecruzando os dedos e apoiando o queixo sobre os mesmos, ela o contemplou nos olhos:
- Continue...
- Acho que você generalizou um pouco. Parece que está afirmando que TODOS os homens são patéticos!
- E não é verdade?!
- Não! isso eu tenho que garantir. Aliás, antes de mais nada, posso considerar que, ao sentar-me agora, estarei comprando fiado a oportunidade de conhecê-la melhor e, conhecendo-a, pagar minha recente dívida com a demonstração de que posso "eu mesmo" ser um exemplo de sua contradição?!
- ... (três segundos de silêncio) Vejamos... Aceito teu desafio!
- Garçom, um copo d'água mineral por favor!
- Você não bebe?
- Prefiro dizer que bebo quando me dá na telha.
- Hmmmm. Suponho que também passe longe de cigarros...
- Você acertou. Na verdade não sou contra quem consome nem cigarros nem bebidas, mas prefiro evitar vícios de qualquer tipo.
- E agora, voltando à questão da pateticidade masculina. Você disse praticamente que todos nós homens somos patéticos. Até ai tudo bem, eu aceito que você tenha a sua opinião particular, mas gostaria de saber, o que é patético pra você?
- Você é da turma de Filosofia?!
- Não, sou um pouco mais viajado ainda, sou da turma de Psicologia. He he.
- Ok.
- Ok.
- Diga-me então por que aquele canalha me deixou para ir morar com aquela piranha!
Olha e me diga se não é uma cachorrice o que ele fez comigo! Co-mi-goooo!
Ele nem sequer avisou! E estávamos indo tão bem, tããão bem antes!
Como isto é possível na vida humana!??
- Nossa! calma! há muito o que entender nisso tudo.
Primeiro, o tal canalha seria o seu namo... ou melhor, suponho agora, ex-namorado?!
-Não! Não! ele é meu marido... Ou ex-marido! Se eu estiver firme na decisão que pretendo tomar depois desta noite!
- E você veio para uma festa de acadêmicos para pensar nesta situação?!
- Na verdade eu já nem sei mais o que estou fazendo da minha vida. Olha só, mal bebi uma Smirnoff e já estou me abrindo completamente com um cara que mal conheço!
- É, pode-se dizer que não é tão normal encontrar pessoas assim por ai. Mas console-se, hoje você acabou encontrando uma boa companhia, eu garanto!
- Hmpf! e o que é que você pode fazer por mim, senhor Psicólogo?!

(...)


Continua - aguardem!

Um comentário:

K. disse...

kkkkkkkkkkkkkk
Boa, Amor!
^^
tá ótima para adolescente (ou préadolescente, se considerarmos um público precoce).
Vou ler o de cima