quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Reflexo-Reflexão

... Na verdade nunca há um equilíbrio pleno entre Philos e Eros. O que acontece, geralmente, é a predominância de um sobre o outro. E desta predominância, seja Erótica ou Philosófica, ter-se-há, então, a característica da relação.
Quando numa relação ouve-se (de um do casal) "espero que me ature por bom tempo", que idéia isto suscita à mente de quem recebe tal sentença?
Falo no caso de esta mente receptora ser de cunho emo-racional.
Provavelmente ela pensará:
- Mas que espécie de pensamento é esse?
"Se desistir de mim"...
O quê?!
Como assim, se desistir de mim!?
Então significa que já há uma expectativa de "desistência" da parte alheia?!
Seria como dizer que "namoro pensando que meu par irá me deixar, assim, caso isto aconteça, aceitarei plenamente porque parece que não sou o par ideal para o mesmo!"
Isto soa absurdo para uma mente romântica!
É como se houvesse indiferença quanto ao amor.
Logo, conclui-se que não há Eros. Pois Eros é paixão. E é a força motriz que motiva o indivíduo a fazer coisas (ditas) loucas.
Amor sem paixão torna-se frio em termos "coracionais"; mas também Paixão sem Razão torna-se irreflexão de conduta moral no casal.
Assim, penso que é necessário haver certa dose de loucura no Amor, do contrário pois não haveria com que caracterizar o romantismo da vida amorosa.

Pela má-expectativa advinda de ti, meu amor, parece que ou estás tentando se proteger de um "adeus" que causará muita dor em teu peito, ou estás sendo sinceramente como és por dentro, isto é, alguém indiferente à paixão. Alguém que pretende não se apaixonar mais devido à dor de más experiências com a coisa em questão.
Suponho que seja esta última. Mas acredito que boa parte de tudo isso se deva à idiossincrasia.
É triste ouvir que "se eu te deixar você já estará esperando por isso". Parece que o valor em percentagem que tu dás para nossa relação é simbolicamente de uns 37% .
Eu particularmente considero o amor (o ato conjugal em si) como um terço completo do que importa para minha existência toda. Não sei em que degrau estará para você.
Mas acredito que temos sempre que ficar a debater nossos pontos de vista.
Isto é o que poderá nos fazer (dadas nossas subjetividades tão díspares) fascinar um ao outro pro resto da vida.

Penso que tenho três coisas para aperfeiçoar e seguir:

1 - Deus = isto é, minha relação espiritual-religiosa.
2 - Trabalho = minha profissionalidade, onde estarei engajado para manter-me a mim e à futura família.
3 - Amor = onde exercerei minhas faculdades humanas como homem.


Bom, no mais da questão, só posso concluir que preciso decidir se há ou não subsídios amorosos para caracterizar uma relação de namoro entre eu e você.
Se sim, então manterei minha energia toda em pró de concretizar nossa união mais e mais, sempre. Ou seja, buscarei consumação amorosa até os limites humanos.
Se não, como dito acima, terminaremos da mesma forma como começamos.

A minha vontade é que esta novela dê certo. E que geremos boas e detalhadas histórias pra contar posteriormente. E que encontremos alicerces estáveis e concretos que possam sustentar nossa relação com força total.
Eu disse num outro texto que quero ver nossas disparidades idiossincráticas com os mesmos olhos de um artista que contempla beleza nos contrastes das matizes de uma bela pintura.
Entende isto?
Bom, se quiser que eu alimente apenas o lado Philos em meu coração por você, basta dizer rapidamente e assim o farei.
Se quiser que eu alimente mais o lado Eros, também consigo fazê-lo, visto que tenho um pouco de ambos (com um pouco de predominância Philosófica devido à ausência de tato).
Mas já dizendo, isto é até estranho, pois num namoro "normal", digamos, não há que perguntar se Eros ou Philos, a não ser que não estejamos conseguindo definir a situação no âmbito emocional.
Mas se "ainda" não conseguimos definir, significa que é Philos.
Bom, pelos sintomas se identifica o mal do corpo, uma doença por exemplo. Sendo assim, meu sofrimento já comentado em tua morada domingo passado seria dito como o sintoma de um mal de Eros.
Isto significa que meu lado puramente coracional não encontrou-se plenamente com o teu, e acabou ocorrendo certo desconforto para o pobre Eros aqui dentro.
Sei que não há que cobrar-te por Eros, pois não o cobrei a mim mesmo e, mesmo assim ele já apareceu atuante no palco de minha consciência. Quero dizer então que Eros é algo de cunho automático na biologia humana. Não há que refletí-lo.
Então, pensando nesta questão natural, não cobro-te por Eros, apesar de ser ele o foco da inércia aqui.
De Philos estou bem suprido.
Cabe então a mim, que tenho Eros por ti, fazer a pergunta:
Quer uma relação praticamente Philosófica ou Philo-Erótica!?
Se o adequado para "ti" for a primeira...
Ficarei triste (Eroticamente) porém satisfeito (Philosoficamente) e seguirei de acordo perante a tua existência na minha.
Esta é a minha reflexão gerada a partir do texto "Como Sócrates" - 06/10/2009 Terça.
Se houve algum mal entendido perante as conclusões, gostaria que me fosse dito.



Noutra ocasião farei diferente:

Hey! estava eu a contemplar você ali do canto...
Sabe...
É...
Quer namorar comigo?

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