terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Querida...


Quantas vezes não somos influenciados pelos arquétipos ideológicos da sociedade?
Vivemos empurrados pelos devaneios da massa. Os sonhos e pesadelos da grande maioria vive assolando-nos a consciência e influenciando-nos em nosso modo de levar a vida.
Pense no príncipe encantado dos contos, por exemplo. A menina cresce com aquilo na cabeça, assim como também o menino que cresce com a princesa que precisa ser salva de um dragão ou qualquer tipo de vilão; e assim ambos crescem e se tornam sonhadores adultos.

Estes "padrões" de sonhos idealizados, ou melhor, tipos idealizados de pessoas, pintados e configurados ao gosto de cada um é destruído quando entramos na prática real da vida.
O que significa tudo isso?
Significa que devemos aprender a trabalhar a vida com o que temos em mãos. Viver mais o presente e aprender a lapidar o espírito de acordo com as necessidades que a vida vai nos impondo.
Significa também que a menina deverá encontrar não o príncipe idealizado, mas encontrar no menino que ela já namora, isto é, em seus aspectos naturais, o ideal de par conjugal para sua vida.
Assim também deverá ocorrer com o menino que encontrar sua namorada: deverá deixar de buscar cobrar pelos "padrões" e arquétipos idealizados e partir para um outro nível de concepção social da mulher.
Ambos deverão aprender a aceitar a realidade e extrair dela a felicidade necessária para viver bem.
A influência que a grande massa da população exerce sobre a minoria é tremenda. Isto ocorre em todos os campos existenciais: religião, filosofia, mídia, arte, política, esportes, ideologias em geral, enfim, tudo depende da "força".
Se você quiser se vestir de kimono como um japonês e sair no centro do Jardim Ipê, ou ir ao centro de Paranavaí, por exemplo, provavelmente será tachado de lunático ou palhaço.
Questões como esta demonstram que a cultura é relativa em diversos aspectos; e a tolerância socio-cultural depende da força da maioria.
Até mesmo ideias são plantadas à força em nossa subconsciência coletiva. Quando menos esperamos estamos no alvo de algum preconceito advindo das diretrizes que a grande massa ditou. A cada segundo, nos grandes centros urbanos, ocorre tal tipo de evento.
Muitas vezes, por isso, o que norteia nossos objetivos e anseios artísticos ou consumistas em geral, são produtos das influências sócio-culturais advindos da grande massa.
A idéia de príncipe encantado e de princesa cintilante dos contos perpassa a cabeça das crianças e gera adultos idealistas.
Sou um destes idealistas, criado à margem da cultura de massa. E que aprendeu a exigir coisas idealizadamente. Por isso, quando o que eu tenho em mãos não corresponde com o idealizado por mim mesmo, infelizmente é difícil encontrar para isto outra forma de encarar a coisa em si que não desanimadoramente indiferente ao objeto de minha posse.
E é justamente por esta razão que frustro as pessoas às vezes. Quando não vou a um lugar por este não ser o que eu pretendo no momento, ou quando não tomo determinada atitude por estar indiferente à ela ideológicamente.
No amor, ultimamente me vejo complicando as coisas simples: parece que causei um mal-estar de indiferença. Ou seria "ausência"?
Diria que às vezes idealizo momentos "específicos" para com o meu par. E que às vezes imagino como seria bom se tivesse um lugar para ir e onde pudesse desfrutar de momentos "ideais".
Um simples contemplar da Lua, um simples banhar a ponta dos pés às margens de um belo e tranquilo lago...
Enfim, sou assim - idealizo muitas coisas.
E por idealizar é que me decepciono a mim mesmo quando não consigo o que idealizei.
Talvez eu nunca tivesse namorado com alguém que idealizei, por exemplo.
E talvez eu nunca venha a encontrar este alguém dos meus ideais. Talvez seja mera criação fictícia da minha mente. Mas uma coisa eu aprendi:
Nesta vida, a experiência nos ensina na dor e no sofrimento como devemos caminhar pelas estradas dos nossos dias.
E aprendi também que tenho que ser feliz, por mais que seja tentador buscar somente o que idealizamos, o correto é aceitar a realidade e, fazer o possível para agradar a pessoa que está ao nosso lado.
Sim, minha amada não merece sofrer pelas mazelas filosóficas que assolam meus pensamentos.
E não deve também sentir os efeitos colaterais de um romântico idealista que sonha com um mundo perfeito no qual flores brotam de seus jardins, ao redor de seu futuro castelo, em seu reinado de Arte e poesias.
Se peco em alguma coisa deve ser no idealismo exagerado.
Mas se posso expressar-me artisticamente e filosoficamente neste tratado tão opaco de sentimentos transmitidos verbalmente:
Gostaria de aprender a fazê-la mais e mais feliz, a cada dia. Aprender a viver a vida como um homem semi-completo. Perpassar por todos os assuntos sem tropeçar tanto pelas vírgulas da existência.
Gostaria de agradar a Deus ao máximo possível e agradar àqueles que dependem de mim, a princípio, e depois, viver a vida em paz.

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