quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Semi-Solilóquios


Esta vida é tão incerta, insegura, inconstante...
Assim como as faces da lua, que flutuam pelo manto azul cintilado de ornamentos estelares
E a cada dia que passa buscamos uma constância em nossos corações
Na ânsia por dias mais e mais seguros
Como se construíssemos uma fortaleza de valores, feita a tijolos bem concretos
Mas não podemos nos enganar a nós mesmos, quando temos verdades interiores que contradizem nossas atitudes externas!
Não podemos fugir de nossas responsabilidades para com a vida!
O mundo é tão imenso, tão extenso, e muitas vezes tão tenso para mim!
Tento viver em harmonia, em paz, apenas sentindo a fragrância das flores pelas quais passo ao caminhar...
Mas nem tudo é do jeito que eu imagino em meus sonhos...
E nem todas as curvas me conduzem a um bosque ou jardim, como gostaria imensamente!
As vezes sou pego de surpresa por um sentimento de torpeza, ou indiferença perante ao Amor, o verdadeiro Amor!
Será que meu coração se machucou lá atrás?...
E agora vive de cicatrizações que não cicatrizarão jamais?!
Não!
Não creio assim desse jeito!
E estaria mentindo a mim mesmo se o fizesse!
A verdade é que meu coração é inseguro... inconstante como a Lua!
Mas não é "culpa" de tal astro que assim o é!
Isso fique claro a mim e a todos!
Pois sou o que sou, de acordo com as diversas explicações e causas racionais e científicas para me tentar entender.
As vezes penso que estaria melhor de um jeito...
Mas em outros instantes, quero ficar apenas assim, deitado ao gramado, olhando para o céu estrelado!
Fazendo versos curtos e adocicados por pequenos lábios femininos!
Ah! a feminilidade alheia é necessária aqui...
Sinto como se fosse a necessidade de Ying... de algo que, aparentemente no exterior, completaria, na verdade, o interior!
E isto é complexo de se tentar expressar até para mim mesmo!
Sou uma bolha de complicações que ora estoura para um lado, ora para o outro!
Mas dizia o infeliz Nietzsche: "quem quiser ser estrela, deve ter o Caos dentro de si"...
Tenho este Caos em mim?!
Oh! talvez tivesse, quando inquieto perante a existência Divina!
Talvez naqueles dias obscuros de ausência completa de Fé e esperança!
Talvez lá...
Não cá!
Agora sou uma alma pobre que descansa de uma escalada impensada... Ousada...
Plenamente audaciosa escalada pelas montanhas do saber!
E o antigo Amor?
Ah... o Amor que sempre tive comigo, aquele que fazia canções...
Poesias...
Versos doces?!
Ah!....
Estou procurando-o como a uma velha e estimadíssima pena, só para voltar a escrever-me!
E se não o encontrar por aqui?!
Ah! talvez isto seja joguete do alto... do acaso, do destino!

Ah! ser inestimável!
Impalpável!
Invisível aos olhos da mente!
Mas tocável e abraçável àqueles que coração aberto:
Vinde a mim, ó Amor!
Invoco-te a presença, se assim for possível.
E te peço aconchego... talvez não tanto para mim, mas para o alvo de minhas poesias, antes tão amorosas e apaixonadas!
Pois se isto é esgotamente poético, temo pelo cataclisma emocional vindouro...
Sou como fonte de água pura: se seco = apenas pedras e musgos... coisas não poeticamente contempláveis!
Temo o esgotamento poético como temo a batalha militar entre meu país e os demais!

Por isso... (voltando-me aos Céus agora)

Pai de bondade... Deus de Amor!
Vinde em meu socorro nesta noite fria e incolor...
Vinde tocar meu coração com o verdadeiro sentido...
Dá-me o verdadeiro saber de mim mesmo!
E conceda-me a ciência de meus passos durante este tempo que se escorre qual enxurrada da chuva de outrora!

2 comentários:

K. disse...

Se queres saber, em meu peito há uma inquietação; porém, já houve outra que, para os olhos cobiçosos da torpe espécie humana talvez fosse muito mais bela e audaciosa. Uma vez que entrei em contato com a divina luz, pude perceber que muitas preocupações e complicações eram criações minhas e, consequentemente, os frutos também meus. De que adianta ter meus frutos (por vezes até doces, feitos de conquistas, vitórias) se estes em tal contexto puramente humano vêm acompanhados do egoísmo que permite apenas o gozo individual? Autossatisfação suficientemente boa para aqueles que nunca tentaram fazer brotar dos lábios de outro o mesmo sorriso que fizera consigo mesmo e - sem ao menos conhecer o coração alheio - fê-lo feliz por um segundo. Este ano que passou foi a mim não tão bom quanto planejara, mas melhor do que poderia supor e creia: entrei em 2010 muito melhor e mais feliz do que em 2009 - e você, Leandro, tem grande parcela nisto, muito obrigada! Talvez esteja em sua fase de lua nova: a Terra não permite que o Sol o encontre no momento, mas isso é só mais uma fase. Como disse outro dia, torno a repetir: estou ciente de que nem todos os dias terão um tom derivado do rosa, serão cinzas e por vezes negros. Talvez tenhamos a tristeza de dificilmente encontrarmo-nos num tempo em que aquele rosinha tênue das nuvens num fim de tarde emanem de nossos espíritos simultaneamente, mas o lado bom é que ele sempre estará (da minha parte ou da sua) para refletir na superfície opaca do outro. A curto prazo, é, sim, frutrante estar com toda a disposição de ver do seu rosto o mais alegre sorriso, mas ainda que (como na guerra) eu tenha que sair esfolada, sem um braço ou uma perna, vou dar meu melhor em tudo o que faço só para poder voltar e vê-lo mais uma vez - ainda que eu apenas o olhe de longe, valerá a pena.

K. disse...

Tenho tantos defeitos quantos são possíveis de se catalogar somados àqueles esquecidos nos corredores da alma. Tento olhá-lo como espera, sorrir de modo a você entender-me, mas temo dizer que eu sou um fracasso em matéria de expressão não verbal, corporal; posto que expressão verbal também não alcança o objetivo de externar aquilo que se sente, sou duplamente fracasso. Com um lápis na mão talvez eu tenha mais sucesso, mas, mesmo assim, jamais conseguiria expressar. Afinal, em matéria de sentimento estou definitivamente lascada. Por que será? Talvez porque poucas foram as vezes que consegui olhar para dentro de mim e encontrar o local de onde sai aquela luz que jorra do peito, se acende nos olhos, transborda num sorriso e dentre essas poucas vezes ainda me deparei com um pano escuro no qual meu corpo estava vestido com o objetivo de aparentar sempre neutralidade. O que ocultei minha vida inteira é a parte mais sensível de mim: quando a alegria chega de mansinho, mal posso notá-la, olho para o lado e sinto uma imensa vontade de abraçar o mundo inteiro e fazer o que deve ser feito; quando a tristeza toma conta, os produtos de minha mente são essencialmente ácidos e agem como um atenuante de qualquer companhia, aí ficam apenas os semelhantes, os igualmente inflamáveis. Estamos em busca do mesmo objetivo, ainda que por caminhos diferentes: o Amor que em sua utilidade prática nos é a seta que aponta para a direção correta e nos faz ver o fim da linha com mais otimismo e olhar para trás sem pudor do que fizemos, sem mágoas do que passamos.

Talvez a ponderação no modo de manifestar-se seja fruto de alguma memória antiga ou um reflexo do que fiz anteriormente, não sei. A única coisa que posso garantir é que estarei aqui e voltarei para junto de ti, ainda que seja só para te ver e mostrar que a melhor parte de mim foi descoberta não por minhas próprias mãos, mas por você. Aí seguiremos unidos pela mente (como desde o princípio)ou (como eu mais espero) pelo coração.