quinta-feira, 18 de março de 2010

Reflexões Gerais

Tenho de escrever por quem não escreve. Dizer por quem nada diz. Nada observa. Tenho de chorar pelos que nem uma lágrima, pelos mais pobres, derrama. Tenho de ser forte pelos fracos. Visão para os cegos. Humildade para os orgulhosos de si mesmos. Tenho de ser.
Não porque sou santo. Não porque mereço algo a mais que meus irmãos aqui na terra. Mas porque alguém, dentre os pecadores, precisa despertar de vez em quando, sabe.
Tudo isso tenho de ser. Mas muito se perde no esquecimento, e fica somente no plano abstrato, teórico.
Infelizmente é assim que acontece com a gente. Os mais instruídos não revelam sua instrução aos mais perdidos. Os mais fortes sequer dão uma mão aos caídos, aos mais fracos e desorientados.
Os cegos não encontram bons guias. É uma caçada ao tesouro. Um tesouro poluído em sua ideologia. Buscam algo que está fora dos planos de Deus. Sim; pois os planos de Deus nunca contiveram malícia, ganância, orgulho, inveja e todas estas doenças do espírito. Mas infelizmente são estas coisas que fazem pano de fundo à busca pelo tesouro da maioria dos homens aqui na terra.
E é por isso: tenho de escrever por quem nada escreve. Dizer por quem nenhuma palavra diz. Olhar para onde nenhum olho se arrisca a focar. Infelizmente é assim.
O problema, digo agora, é que não sou capaz de alcançar este objetivo já mencionado. Não posso dizer que consegui olhar para onde ninguém olhou, sem antes mostrar as "boas" consequências disso. Não posso dizer que estarei escrevendo por ti, por nós, pelo mundo, sem antes mostrar, em minhas atitudes e práticas rotineiras, a matéria deste substrato teórico.
Entende?
Contemplo erros em cima de erros nas ações humanas, principalmente em comunidade. Infelizmente, porém, não posso dizer que sou um exemplo para que os mais equivocados existenciais tenham onde repousar a atenção e auto-disciplina.
Por isso quero buscar, sempre, uma maneira de superar tudo isso. E, se conseguir, escreverei algo bom, digno de ser praticado, pelo bem da humanidade, do homem, da vida.
Nossa vida é um coelho com uma vara de pescar correndo atrás da cenoura amarrada à um barbante nela mesma. No entanto, ter consciência da vara, e da linha, para nós, os que pensam demais, é um mal pro espírito. Temos que tomar extremo cuidado para que não se torne um mal "do" espírito. Senão nos tornaremos alucinados, pervertidos ideologicamente, doentes do interior. E a vida não foi feita para ser mal-degustada, não é vero?
Creio que há sempre uma possibilidade de retomar o caminho que começamos. Senão pelo início do mesmo, pelo menos demarcando que "agora" será um novo início de tudo novamente.
Não é possível, como crê a ficção dos filmes, voltar no tempo. Por isso é necessário aprendermos a lidar com a vida presente, e entender que nem sempre é possível acontecer aquilo que queremos ou sonhamos - não pelo menos da maneira como sonhamos.
Então, como diz o psiquiatra do Psiqweb: felicidade não é acontecer aquilo que se almeja "somente". E sim, além de ocorrer o que se espera que ocorra, sinta-se aquilo que se deve sentir logo que aconteça aquilo que se gostaria que acontecesse!
E te digo, se tu entendeste o que abacou-se de ser mostrado acima, saberás como viver a tua plena vida.

Agora pare e olhe para o mundo que te circunda, e logo depois para a humanidade que te é visível. Pergunte-se por que há tantas hierarquias. Tantas divisões funcionais entre os homens. Por que será que nós aceitamos de mãos beijadas tantos sistemas (que na maioria das vezes se mostram corrompidos)?
A política tem sido eficaz como a filosofia política a prega?
Nesta vida, tudo tem um significado para o homem da razão. Mas será, eu pergunto, que nossas hierarquias são genuinamente boas para o espírito humano?
Deus criou o primeiro homem, Adão. E a primeira mulher, Eva. Então diga-me, quando foi que começou-se as ordens de poder, lugares específicos que denotam a importância que o indivíduo tem só pelo cargo que ocupa?!
O trabalho pode significar o teu grau de importância existencial?
É possível afirmar que o pedreiro é menos digno que o engenheiro?
O lixeiro é menor que o vendedor de imobiliárias?
O médico é maior que a empregada doméstica?
Oh! ignorância das ignorâncias humanas. Pensamento mesquinho e tacanho ao extremo.
Jesus, tende piedade dos homens, pois não sabem bulhufas do que é realmente importante para se viver bem - e diante de Ti.
Ensina-nos, ó Mestre dos mestres, a ter dignidade para com a própria vida que nos é entregue dentro do ventre de nossas mães. Ensina-nos, ó Senhor, a ter compaixão dos mais necessitados, e lava nosso espírito em Teu precioso sangue. Para que tenhamos uma vida plena.
Não quero desigualdade, mas ela é real entre nós. O Senhor permite o arbítrio que compraz a cada um, e por isso, como consequência da auto-suficiência humana de muitos, o pecado entra na humanidade. Ó maledicências dos homens.
Devemos estar atentos...
Devemos viver...
Devemos escrever pelos que não escrevem...
Olhar o mundo pelos que se fazem cegos à justiça...
Gritar o Bem pelos que (até) sussurram palavras dignas... Mas que vociferam blasfêmias e injúrias para com o próximo.
Somos todos semelhantes. Filhos de um único ventre. Somos criaturas do barro, e a ele retornaremos um dia ou outro. O importante, na verdade, é ter consciência de que isto é um mistério e, assim, devemos nos comportar fazendo jus!

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