terça-feira, 29 de junho de 2010

O Menino e a Menina


De repente o menino olha para o céu
E uma linda lua ele encontra.
Parece que ela baila em sua própria luminescência...
O menino é curioso:
Gosta de estrelas, gosta da lua!
Mas sozinho ele acha chato contemplá-la:
"Não ter ninguém com quem comentar é triste!"...
Mas de repente, seu rosto se ilumina num ameno sorriso:
Ele se lembra da menina,
Sua parceira de contemplação.
E ali mesmo, naquela hora incerta, diante daquele feminino astro
Ela aparece ao seu lado.
Ele a vê se aproximando...
Recebe um beijo no rosto e...
Feliz, de mãos dadas, assiste o espetáculo lunar!

sábado, 26 de junho de 2010

Não se nega o que não se conhece


Se eu concordo com o pensamento de determinada pessoa, a respeito de determinado assunto, é porque a conheço, antes de concordar ou discordar.
Por outro lado, não posso dizer que não gosto das ideias de Marta, uma vez que sequer conheço alguém com tal nome. Pois seria o mesmo que dizer que não gosto de jiló sem ter ao menos experimentado jiló.
Chesterton salientou bem, quando se referiu à existência dos "verdadeiros" fantasmas que são plagiados nos falsos. Ou melhor, a prova de que existem fantasmas verdadeiros está no fato de plagiarem os mesmos com falsificações. Diria ainda que, se uma palavra, isto é, um signo, designa algo concretamente real, sendo a palavra algo abstrato e simbólico apenas, significa que as "ideias" que se faz de Deus e dos anjos, são signos a respeito dos mesmos.
A partir deste pressuposto começo aqui um artigo sobre a negação das coisas espirituais. É muito fácil negar a crença religiosa de uma sociedade, mas creio ser bem mais difícil apontar um caminho alternativamente "verdadeiro", como o proposto pela religião.
Acho muito bonito e verdadeiro a colocação sobre signo e significado extraído da linguística. Mas não por puro gosto estético; digo pela mesma razão que se acha bonito dizer que os humildes verão a Deus. Ou seja, que é um argumento puramente verdadeiro.
Na verdade, aliás, é óbvio aos meus olhos quando digo que há uma verdade que encontra respaldo na própria falsificação da mesma. Ora, não é verdadeiro que um sapato falsificado de determinada marca só prova que esta mesma marca de fato "existe" num sentido "verdadeiro"? Aqui fala-se apenas da marca, por enquanto.
Agora pare, pense, e transponha esta articulação intelectual para o plano da espiritualidade, que vive tantas rixas ideológicas.
Se eu digo que os deuses existem, como o fariam os pagãos de todos os tempos, é porque há alguma brecha na alma humana que só pode ser preenchida com tal assunto. Diria ainda que os pagãos estão como que procurando sapatos falsificados em brechós espirituais.
Os judeus já sabiam da "marca original", apesar de observarem, nos arredores, tantos e tantos brechós vendendo idolatria barata por preço de banana.
O importante aqui é salientar que a existência de deuses vem para mostrar que há um só Deus por trás de tudo isso, assim como há uma só marca original de sapatos para todas aquelas falsificações baratas.
Julgue por si mesmo: se soubesse que sua iminente compra de sapatos ou qualquer outra espécie de vestimenta seria de um produto "falso", ainda assim, tendo dinheiro suficiente para adquirir o original, faria tal compra?
Não se nega o que não se conhece. Eis a afirmação para este artigo. Você pode ser livre para não gostar de jiló, ou até mesmo torcer o nariz para quem o deguste com avivado paladar, mas não é livre para "negar" a existência deste legume.
Assim também digo que nossas ideias a respeito de Deus provém da mesma fonte evidencial.
É pelas sombras da verdade que se deduz as verdades divinas. Deus está nos moldes da existência. Está praticamente claro para mim agora.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Diário de Bordo II

Bom, sobre as discussões entre crédulos e incrédulos não tenho nenhuma novidade para falar. A verdade é que, na postagem anterior, em "Diário de Bordo", já havia dado início a esse assunto quando falei de um diálogo entre eu e dois amigos do departamento de história.
Quando você tenta, como cristão devoto, afirmar as Verdades de sua fé para outrem que não seja (mais) cristão, torna-se necessário um campo de palavras, isto é, um ambiente no qual se possa partilhar de terminologia smiliar e cognoscível tanto de um quanto do outro interlocutor do debate.
Meu novo tutor em filosofia, se é que assim posso considerá-lo, Olavo de Carvalho, disse que não é adequado usar o campo de linguagem do adversário para debater contra ele. Assim o receptor de sua mensagem "ditaria" a forma e as regras da discussão. Seria como dar ao adversário a tinta para que ele pintasse o pano de fundo no qual se desenrolasse a peça.
E é baseando-me no conselho de Olavo que manifesto aqui minha nova idéia e, ao mesmo tempo, revolta em relação àquela conversa (Diário de Bordo). Eu deveria ter me contido em utilizar terminologias conhecidas do público, diga-se de passagem, pagão.
A nomenclatura científica, muitas vezes, não se preocupa com o que a igreja vai dizer a respeito de determinado assunto.
Pegue-se o estado espiritual de efusão, por exemplo, e lá viriam as terminologias científicas para enquadrar, catalogar, rotular, "desmitificar" o "fenômeno" em si.
Então, por isso, fiquei um tanto revoltado comigo mesmo por ter "tentado" trasmitir a pedagogia da Fé Católica aos meus queridos amigos, utilizando-me de terminologias do "mundo". Não estive preparado para evangelizar. Não é algo que eu possa fazer com modesta "eficácia". Não tenho ainda segurança nos argumentos (que sei existirem) verdadeiros para a conversão de muitos incrédulos.
Quando um cristão é abordado por um pagão, herege, ou qualquer outra categoria de pessoas que o queiram subjugar, precisa estar "preparado" para as armadilhas retóricas.
Jesus ensinou o que é preciso para ser "feliz" em Deus e com Deus. Não necessitamos aqui reproduzir o que tão bem já se sabe. Mas a verdade é que é complexo o processo de "abertura coracional" dos mais incrédulos.

"Homem, deixa-te cair a lama do coração".

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Das Produções

Ultimamente estou descobrindo o prazer inicial de escrever artigos. É realmente excitante poder manifestar nossas opiniões, idéias e críticas num paradigma formal e acadêmico. Mas acredito que este prazer se dê pelo fato de eu "já" gostar de escrever desde antes. Em outras palavras, diria que é porque o ato de escrever algo "novo" significa, de alguma forma, parte de um processo artístico, porquando subcriativo.
Talvez a maioria dos acadêmicos não sinta este prazer porquanto ele exija um considerável esforço mental e criativo, ou talvez por não terem o gosto-hábito de escrever por e para si mesmos. Isto pode ser uma questão artística.
A arte é sinônimo de subcriação. De motivação. É como o debruçar-se da alma num impulso de manifestação do ser perante a existência e os fenômenos existenciais circundantes. Sendo assim, não é para todos o prazer de escrever, de pintar, de compor canções, de esculpir, de dramatizar, de desenhar, etc.
Deve ser simplesmente por isso que eu esteja gostando tanto de escrever artigos, ensaios, crônicas, etc.
É até óbvio que, se o indivíduo demonstra traços artísticos para as Letras, haverá prazer na escrita, ainda que de modo formal e não literário.
Em suma, só queria manifestar o prazer de expor idéias, contradizer argumentos alheios, por puro prazer intelectual e por meta de encontrar o ideal e excluir os ideais inaceitáveis.
Receio não conseguir escrever o número de artigos e teses idealizados, mas mesmo assim, enquanto admirador da arte geral, e com carinho especial para as Letras, ficarei satisfeito se puder, algum dia, contribuir para o progresso intelectual dos leitores mais ávidos por conhecimento e sabedoria.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Citando Chesterton

há uma palavra a dizer sobre a Queda. Só poderá ser uma palavra, e ela é esta. Sem a doutrina da Queda, toda a idéia do progresso é sem sentido. O Sr. Blatchford diz que não houve uma Queda, mas uma ascensão gradual. Mas, a própria palavra “ascensão” implica que você saiba em que direção está ascendendo. A menos que haja um padrão, você não pode se dizer em ascensão ou em queda. Mas o ponto principal é que a Queda, tal como todos os outros largos caminhos do cristianismo, está embebida, invisivelmente, na linguagem comum. Qualquer um pode dizer, “Muito poucos homens são realmente humanos.” Ninguém diria, “Muito poucas baleias são realmente, ‘baleiais’.”

Se você quisesse dissuadir um homem de beber sua décima dose de whisky, você bateria em suas costas e diria, “Seja homem.” Ninguém que desejasse dissuadir um crocodilo de comer seu décimo explorador, bateria nas costas da fera e diria, “Seja crocodilo.” Pois, não temos nenhuma noção de um crocodilo perfeito, nenhuma alegoria de uma baleia expulsa do Éden ‘baleial’. Se uma baleia viesse ao nosso encontro e dissesse: “Eu sou um novo tipo de baleia, eu abandonei a ‘baleiez’,” não deveríamos nos preocupar. Mas, se um homem viesse até nós (como muitos logo virão) e dissesse, “Eu sou um novo tipo homem. Eu sou o super-homem. Eu abandonei a misericórdia e a justiça;” deveríamos responder, “Sem dúvida você é novo, mas nem um pouco parecido com o homem perfeito, pois este sempre esteve na mente de Deus. Caímos com Adão e ascenderemos com Cristo; mas preferimos cair com Satã, que ascender com você.”

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Diário de Bordo

Hoje, enquanto passavam os minutos do intervalo, na faculdade, tive um momento especialmente intrigante. Estava debatendo, como sempre fiz, filosoficamente a religião, Deus, e a espiritualidade.
E, debatendo com dois estudantes do departamento de história (ironicamente) pude perceber certas rixas ideológicas pertinentes ao assunto em questão.
Como é difícil, para quem se ausenta do conceito de Fé, e das pregações eclesiológicas, e do magistério tradicionalmente Sagrado da Igreja, "acreditar" na Verdade proposta.
Como é complicado dialogar e despertar equilíbrio e harmonia.
Mas talvez tudo isso encontre respaldo na própria Sagrada Escritura. Talve lá poderei encontrar as explicações que nortearão este assunto. Então ficarei por aqui, aguardando meus estudos gerarem conclusões e deduções transcendentes a respeito.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Matizes




Já pensou se um único lápis da caixinha quisesse imperar sobre todos os outros e ditasse a cor de todos baseando-se em sua própria cor?
Todos seriam de uma única cor. E que graça teria isso para a arte?
Qual o sentido de se pintar sempre em um único tom?
O "legal" da arte está nos contrastes...
As nuances entre as colorações é que causam o vislumbre mais impressionante. Isto é um fato de arte como o céu é azul e a noite é negra.
Mas infelizmente há pintores por ai que não sabem ou parecem não saber desta perspectiva artística. E pintam somente num tom as ilustrações de suas vidas.
Ah! se todos sentisem...
Ah! se todos fossem verdadeiros pintores pela existência.

"Precisão¹ Cirúrgica"


Há um mês passei por uma cirurgia na cravícula e, pensando sobre isto, ou seja, sobre a importância e significado de uma cirurgia para o restabelecimento do corpo, tracei um paralelo entre a minha passada situação médica e a sociedade. Em outras palavras, percebi que, assim como um indivíduo que se encontra lesado e nessecitando de uma cirurgia para voltar ao normal, também a sociedade sofre como que de fratura exposta. O sistema está corrompido. Lesado.
O problema, no entanto, está na aparente inexistência de médicos para tal caso. A sociedade é um corpo vivo, um sistema organizado composto de indivíduos racionais (aparentemente); como o próprio corpo humano individual. Na verdade, se analisarmos, tudo na natureza é parecido e comparável, pois tudo faz parte de uma mesma natureza. E é por isso que a sociedade é como o corpo humano, composto de microorganismos que fazem o sistema funcionar (ainda que mal).
Temos, por fim, que atentar para os problemas de saúde de que a humanidade padece. E isto não parece ser algo tão fácil como tratar uma dorzinha de cabeça qualquer com aspirina.
Quando falo de fratura exposta, falo de lesão séria mesmo. Politicamente, por exemplo, o Brasil sofre com as entranhas à mostra por um governo corrupto que adoece em muito o processo de atendimento público.
Eu, por exemplo, dependendo do SUS para fazer minha cirurgia, teria de esperar um mês para pegar vaga. E é claro que não iria ficar aguardando com uma cravícula quebrada. Fiz pelo método particular (acionando o DPVAT, claro). Isto mostra o quão doente está o sistema governamental no concernente ao atendimento das necessidades públicas.
Ora, afinal, o governo serve para quê?
Não é para administrar a população nacional? Não é para promover o equilíbrio entre o que se necessita e o que se paga para merecer atendimento?
Mas onde está a praticidade nisso tudo?
Está alhures... algures!!!
É fratura exposta mesmo!!! Precisamos de um cirurgião urgente. Alguém que coloque os ossos da sociedade no lugar; e costure bem para cicatrizar logo.
Enquanto ficamos com estas feridas expostas, as moscas aparecem para implantar suas larvas nas feridas abertas do sistema. Enquanto isso, o mau cheiro atinge os narizes dos críticos e filósofos mais atentos. E o sistema de saúde não parece existir para dar fim a tudo isso.
Precisamos de uma cirurgia no sistema. Para que o processo flua, com equilibrio.

¹- Necessidade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um ano


Um ano de namoro. Há trezentos e sessenta e cinco dias que nossos corações batem numa mesma frequência, em sintonia com a estação do amor. Há exatamente um ano que embarcamos neste carrocel que gira em torno do astro rei, e hoje completamos nossa primeira volta galática. E aqui estamos nós. Ainda firmes na meta. Contentes com o que trazemos em nossas histórias para contar; do que já fizemos e alcançamos para recordar. Somos duas águias que voam rumo ao horizonte. Duas letras do alfabeto que se tocam; unidas e mui próximas da inicial do Mestre dos mestres - J.
Neste momento eu paro, fecho os meus olhos, respiro profundamente e, num suspiro, reflito sobre tudo o que se passou até agora. É hora de fazer uma retrospectiva e, projetando a partir dela, criar um futuro amorosamente próspero. Pois nem sempre um par se mantém por um ano, por mais absurdo que possa parecer afirmar tal coisa. Hoje em dia as pessoas estão mais desapegadas de compromissos, pensando sabe-se lá no que; desejando coisas distantes do tradicional, do concreto, do valioso em termos ideológicos.
Parece que todo mundo decaiu em termos culturais. E eu não quero "re-produzir" tal atitude em minha relação. Quero manter a boa cultura, a religiosidade sadia, a meta, e criar um laço benéfico a dois, que possibilite mais e mais felicidade com o passar do tempo. É assim que eu penso.
Não quero fazer como muita gente faz. Pessoas buscam o fútil; o meramente prático.
Onde encontraremos famílias bem alicerçadas no futuro se continuar assim?
Este é um dia para refletir sobre questões como a fidelidade, a cultura, a idealização, o passado, o futuro, o presente, essas coisas.
Acho que todos deveriam pautar suas vidas assim: refletindo sempre. Infelizmente não é bem esta a realidade que conhecemos.
Se se fizesse uma pesquisa de campo na cidade, por exemplo, certamente não se encontraria amostras animadoras de pares bem estruturados emocional e psicologicamente.
Bom, gostaria de dizer o quão feliz estou por ter a pessoa que tenho ao meu lado; alguém que busca compreensão, com determinação e carisma. Alguém que me faz querer crescer sempre mais, para poder desfrutar de um belo e prazeroso convívio, em todos os aspectos que uma relação amorosa engloba.
Amo esta pessoa e rezo por mim e por ela, rezo por nós, em prol de nossas conquistas passadas e futuras.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Poemisse

Ah! quão bom não é
Ao lado de quem se ama se encontrar
No refrigério da alma
Planos pro futuro a se compor
É isso que alegria à alma traz
Como a Aurora que ao dia vem iluminar
A face serena e amada que ao meu beijo vem tocar
Um afago ao coração
Amor pleno de razão e emoção
Assim segue a vida
Eu e tu, sim sem não!
Quão bom não é estar deste jeito
Amar e ser amado, num só peito!

domingo, 13 de junho de 2010

A respeito da Consciência do Self


De onde vem a alma? Esta consciência de um Eu que há dentro de cada um... Você pode responder?
A noção de existir que habita o teu interior, como se indagasse o tempo todo um "por quê?".
Realmente é difícil de entender e compreender a razão que nos trouxe a este plano existencial. Por isto existe a religião. E diria aliás que a mitologia também se enquadra neste aspecto explicativo da existência. O próprio mito contém algo de "revelado" em si, porquando mostra ao homem um reflexo de sua própria consciência e do que há ao seu redor, sobre aquilo que existe e se sabe que existe da parte coletiva humana.
Mas nem todas as religiões visam um mesmo porto de chegada, um mesmo horizonte. Assim como ônibus que viajam por estradas diferentes, apesar de serem todos ônibus da mesma categoria de transporte, não levam ao mesmo lugar. Religiões são diferentes neste dado aspecto.
O cristianismo existe para atrair aqueles que procuram por libertação. Cristo nos ensinou isto ao demonstrar em ações o que o Amor deve significar na vida de um indivíduo. Amar significa dedicar-se ao bem maior, a Deus que no indecifrável e invisível habita e, por isso, respeitável e adorável mistério de fé.
Porque eu amo consigo demonstrar em atitudes este mesmo amor, e assim trazer aos que me assistem em vida uma prática que converta corações petrificados pela alienação geral ao Amor maior de Cristo, nosso Deus humanado.
Mas voltando à questão da consciência, da alma que habita em cada um de nós, por que será que algumas pessoas se dedicam tanto na tarefa de garimpar da mente segredos divinos?
Eu mesmo, por exemplo, adoraria trazer-vos algo inovador em termos psíquicos, talvez por uma inclinação inata de minha psique, ou por ter aprendido de alguma forma a gostar assaz do assunto ao ponto de me dedicar a ele com veemência considerável.
A noção de que somos quem somos indica que cada um é uma entidade psicológica em si mesma, mas até ai tudo é evidentemente normal. O problema é quando buscamos a raiz de tudo.
De onde vem esta consciência de que somos?
Deus com certeza nos dotou com a idéia dEle em nosso inconsciente mais profundo. E por isso, talvez, a maioria não encontre explicações mais contundentes, ou seja, mais categóricas.
Considerando os mistérios deste mundo quântico, percebo a indiferença religiosa e espiritual como ponto de inércia entre os homens. Deveríamos ter alguma responsabilidade ao opinar sobre coisas que não condizem com nossa experiência empírica.

sábado, 12 de junho de 2010

Barrabás

Seu Barrabás era um senhor já muito vivido. Conhecia este Brasil de cabo a rabo. Um homem completamente experiente. Sertanejo por natureza, veio de uma cidadezinha do interior para morar na grande São Paulo. E lá encontrou o caos urbano. A balbúrdia dos sinais. Uma guerra por tempo e tudo o que acomete à cidade (grande). E de suas viagens pelo país, conheceu todas as nossas diversas formas de manifestações culturais. Sendo esta a razão de sua fama de "O homem" vivido vir a sobrecair-lhe à índole.
Com 1,80cm de altura, fisionomia militar, alemão por paternidade e italiano por maternidade, Seu Barrabás era assim: um homem que não levava desaforo para casa. Não tolerava injustiça nem qualquer forma de intempérie.
Certa feita, estando ele em seu sítio, no interior do Paraná, em Tamboara, sentado em um toco de jatobá, picava fumo caseiro com seu canivete artesanal quando um avião passava por sobre sua cabeça em alto céu.
Naquele dia, Seu Barrabás nem imaginava a estapafúrdia cena que se desenrolaria diante de seus olhos no momento em que o avião começou a soltar uma fumaça escura de uma das turbinas, e logo em seguida um som estranho já dava a entender que a aeronave estava caindo.
Mais que depressa, Seu Barrabás largou o canivete com o fumo picado e se lançou sem pensar a correr desenfreadamente na direção em que o avião parecia iria cair. Era próximo ao milharal do desesperado senhor.
O que o motivara àquela atitude ninguém poderia inferir, mas Seu Barrabás parecia não gostar nem mesmo de pensar que coisas como aquela acontecessem diante de sua vigília. E por isso tratou logo de parar a nave com as "próprias mãos" enquanto praguejava em seu "jeitão" de ser.
Finalmente o homem conseguiu salvar a aeronave e deixar a todos aturdidos com a cena.
Este é apenas um episódio que acontece na vida de Seu Barrabás. Um homem sério, que leva as coisas ao pé da letra. E ai de você se ele sentir que alguma coisa está errada contigo. Ele "vai fazer" algo para mudar a situação.

Sintaxe do Amor


Não posso viver sozinho
Preciso da tua companhia para completar-me o sentido de viver

Oh meu amado tesouro! Meu objeto!

Às vezes você aparece, assim, de frente: direto!

Em outras me surge indiretamente, acompanhado de um amigo...

Como que acanhado...

Mas olhe! Juntos podemos formar o sentido maior

E alcançar a poesia que há nas sentenças

Sintaxe à vontade, é o meu lema para ti!

Pois sem a tua presença nada faz sentido...

Perco o chão e fico vazio, pois não há para mim outra razão...

Meu objeto...

Sou um verbo transitivo...

Não sou soberbo, nem auto-suficiente como os verbos intransitivos que existem por ai...

Estes não permitem casamento...
Mas encontrei refúgio em tua companhia...
K... meu amor, tu és, assim, meu objeto, ou melhor, sentido da minha poesia!

Meu adjunto adnominal...
Meu complemento nominal...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Poetantemente

Dos frívolos devaneios dispa-te oh Mim-Mesmo,
E do ócio desenfreado, que te apraz à cândida alma
Sê constante à tua Estrela, à tua sina
E não permitas demover-se-te de teus intentos
Pois se algoz é a tua emoção
E verdugo o teu coração
No Amor maior disciplina-o
E eleva-o a Deus perante tua princesa

terça-feira, 8 de junho de 2010

A ti

Oh musa dos meus versos
Princesa do meu coração
Da face que abriga os olhos
Mais lindos do meu Verão
Anseio por tua chegada
Teus lábios me são tão caros
Macio o beijo de tua boca
E na fragrância dos teus cabelos
Encontro meu regalo

Reflexão Conjugal

Muitos perdem o amor... ou melhor, o jeito de amar. E por isso muitos corações carecem de uma fisioterapia coracional. É a realidade.
Bom seria se todos buscassem consertar as coisas numa relação a partir de dentro; isto é, não deixando que infortúnios conjugais se tornassem motivos para negligenciações na manutenção da relação. O ideal seria que maridos e mulheres procurassem uma maneira adequada de ser acertarem nos pontos em comum ou não.
Falo de fisioterapia no sentido de uma escola ou clínica que visasse consertar as relações. Isto não é comum na sociedade (salvo alguns conselheiros amorosos que existem por ai).
Ou quem sabe as pessoas parassem com a ignorância cristã e aderissem logo à verdade de Cristo: o amor é o único que liberta e conserta as coisas.
As pessoas se deixam levar pelas circunstâncias (e não me excluo do meio destas) emocionais. E é claro que não devemos desfocar da questão emocional, mas antes disso, precisamos buscar entender até que ponto estamos reféns delas ou não. E o ideal seria que tivéssemos um método adequado de controle para nos mantermos equilibrados perante as piores intempéries do destino.
Corações definham e se ressecam no árido deserto da falta de amor. É lamentável.
Deveria haver reconciliações da parte de ambos os casais que brigam, por exemplo.
Na verdade, uma briga conjugal deveria ser vista como algo praticamente normal. E normal se entende por algo que faz parte das "normas" matrimoniais. Afinal ninguém é igual a ninguém, e por isso ninguém deve procurar a perfeição em termos "agradativos". Pecaremos em um ou outro fator da relação. É normal.
Pessoas pensam que um namoro ou uma relação conjugal consumada se dá apenas no plano do faz de conta, do conto fabuloso. Mas na realidade o ideal seria enxergar no ordinário de uma relação o extraordinário que Deus nos possibilita para viver.
Ora, temos em mãos uma vida que desfruta da nossa presença e compartilha de seus pensamentos e sentimentos. Deveríamos ser mais gratos e menos mesquinhos para com o mundo. Procurarmos por mais entrega do que criticar a vida.
Eu particularmente preciso lapidar alguns vícios de postura, mas quem não tem vícios de postura?
Alias, muito do que fazemos por título de vícios é o que na verdade nos define em essência. Às vezes achamos que tal e tal detalhe de nossa personalidade é algo composto quando na realidade não passa de uma parcela de nossa alma.
O que o homem precisa fazer afinal para obter um resgate do amor dentro de si?
Penso que o diálogo é o ponto de partida para tudo isso. E sem este jamais se poderá falar de reconciliação ou coisa parecida.
Vivemos num mundo que prega a correria, a disputa, a guerra, o capitalismo. E não há como fugir disto. Você, eu, nós, somos todos vítimas de um sistema imposto pelas circunstâncias sociais e políticas. Não há como negar os fatos.
Mas devemos ter em mente, sempre, que o destino de uma pessoa é o que ela decide fazer dele, e, até antes disto, "como" ela decide fazê-lo - visto que se ela negar a parte Divina de tudo o que faz e decide já está perdida para sua própria vida.
Onde estamos colocando nossos corações?
Onde estão nossos tesouros?
Não é na similaridade que jaz a felicidade conjugal...
Não é no "compatibilidade" ideológica somente...
Tudo isso ajuda em muito, mas o que mais importa está no "como" você pensa a respeito da relação que tem em mãos. Parte de um, parte de outro.
Cada indivíduo possui metade para administrar, e a outra metade ele precisa suportar e tolerar, se for o caso de algo pesaroso e que este ainda insista em partilhar.
Nossas relações são somatórias. E como tais, devemos acreditar na matemática desta parceria amorosa, como dois números que se somam para obter-se uma quantia maior de vivências.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Capital

O engraçado de se morar numa capital é que você tem a sensação de estar sozinho em meio a tanta gente andando "junta". Lá não se vê saudações amistosas pelas calçadas. Olhares não se cruzam matinalmente. É um caos urbano em termos humanos. Mas, nas verdade, quanto maior for a cidade, maior será o vazio nas pessoas, e elas se fecharão. Por isso é bom procurar um meio de superar tais mazelas sociais. Porque senão correremos o risco de morrer numa calçada e não sermos enxergados por ninguém (salvo se alguém se incomodar em "esquivar-se" do cadáver ao caminhar). Infelizmente é isto: a correria causa indiferença ao espírito de todos que ali habitam. E a preocupação toma posse de todo o ser no indivíduo. Ou você se concentra no que pretende (e precisa) fazer, ou cai do bonde que está a caminho.
É triste mas é a realidade. Nas igrejas, ainda que em cidades menores, já não se encontra muitos adeptos de uma boa dose de oração cotidiana, e muito menos nas grandes metrópoles. É angustiante saber que você passa como objeto ou obstáculo numa multidão caminhante.

Resumindo: onde afinal este povo quer chegar?
Estão atrás de quê?
E a reflexão?
E a sensibilização?
Onde estão seus espíritos?
Ficaram em casa?
Dormiram ou foram enjaulados na inércia?!
Critico a falta de espiritualidade e sensibilidade das pessoas?!
Mas acho que a coisa é bem mais simples do que parece...
A necessidade de comer e se vestir estrapolou com tudo e todos.
Transpôs-se os limites do trabalho-reflexão. E agora vemos as consequências de uma vida sistematizada... pasteurizada... enlatada... Dogmatizada e pautada no medo de pensar e sentir. Como se pensar e sentir fossem sinônimos de utopia social.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leito de Devaneios

De repente um corpo, noutro corpo se encontra e refestela. O cobertor ganha um segredo para guardar. As paredes ouvem palavras sussurradas que flutuam no ar.
Quem são senão os próprios amantes de suas estórias?
Panos pelo chão narram metade do segredo. O silêncio é mistério somente por um segundo...
E lá estão eles, num leito de amor e de devaneios. Qual motor apenas se aquecendo...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Artigo - da Educação


Estamos vivendo banalizações em diversos aspectos e valores sociais. As crianças deste país não podem contar com uma educação adequada no próprio lar (donde deveria prover a formação básica para logo em seguida engatar-se o processo cognitivo-educativo na instituição de ensino). Pais não oferecem condições pertinentes para que seus filhos desfrutem de uma infância escolar de qualidade. Infelizmente isso ocorre por muitas vezes não terem recebido condições saudáveis de educação dos pais anteriores. E assim cria-se um ciclo de más formações humanitárias fazendo com que cada geração falhe em partes com a posterior ao repassar a cultura recebida.
O ser humano constitui-se de atributos intelectuais suficientes para promover a boa disciplinariedade entre seus concidadãos. Eis um fato do qual se origina a decepção contemplativa dos pedagogos mais atentos e críticos no referente à situação escolar de nossas crianças. Uma vez que, apesar das potencialidades latentes na razão humana, não se enxerga uma humanidade prosperamente feliz em múltiplos fatores da vida - principalmente na educação infantil.
O conto de fadas que é uma das peças fundamentais para a culturalização da psique infantil, por exemplo, encontra-se destituído de sua originalidade moralizante. Escritores pós-modernos estão buscando transformar os componentes essenciais à formação da mente na criança em algo vazio de significados internos.
Sabemos que o conto de fadas é clássico por enfatizar com clareza e contraste as aparências e consequências do bem e do mal na sociedade; e por isso oferecem conteúdos moralísticos aos pequenos leitores/ouvintes.
Busca-se, atualmente, aniquilar as partes referentes ao mal e ao feio nos contos infantis, trazendo apenas o colorido mágico da beleza moral e de uma verdadeira ficção vazia e completamente irreal ao mundo que a criança "precisa" conhecer desde já.
Nossos pequenos leitores necessitam de conteúdos que formem seus espíritos e não de algo que não contribua para nada além de perda de tempo e bloqueio de experiências literário-existenciais.