quinta-feira, 24 de junho de 2010

Diário de Bordo II

Bom, sobre as discussões entre crédulos e incrédulos não tenho nenhuma novidade para falar. A verdade é que, na postagem anterior, em "Diário de Bordo", já havia dado início a esse assunto quando falei de um diálogo entre eu e dois amigos do departamento de história.
Quando você tenta, como cristão devoto, afirmar as Verdades de sua fé para outrem que não seja (mais) cristão, torna-se necessário um campo de palavras, isto é, um ambiente no qual se possa partilhar de terminologia smiliar e cognoscível tanto de um quanto do outro interlocutor do debate.
Meu novo tutor em filosofia, se é que assim posso considerá-lo, Olavo de Carvalho, disse que não é adequado usar o campo de linguagem do adversário para debater contra ele. Assim o receptor de sua mensagem "ditaria" a forma e as regras da discussão. Seria como dar ao adversário a tinta para que ele pintasse o pano de fundo no qual se desenrolasse a peça.
E é baseando-me no conselho de Olavo que manifesto aqui minha nova idéia e, ao mesmo tempo, revolta em relação àquela conversa (Diário de Bordo). Eu deveria ter me contido em utilizar terminologias conhecidas do público, diga-se de passagem, pagão.
A nomenclatura científica, muitas vezes, não se preocupa com o que a igreja vai dizer a respeito de determinado assunto.
Pegue-se o estado espiritual de efusão, por exemplo, e lá viriam as terminologias científicas para enquadrar, catalogar, rotular, "desmitificar" o "fenômeno" em si.
Então, por isso, fiquei um tanto revoltado comigo mesmo por ter "tentado" trasmitir a pedagogia da Fé Católica aos meus queridos amigos, utilizando-me de terminologias do "mundo". Não estive preparado para evangelizar. Não é algo que eu possa fazer com modesta "eficácia". Não tenho ainda segurança nos argumentos (que sei existirem) verdadeiros para a conversão de muitos incrédulos.
Quando um cristão é abordado por um pagão, herege, ou qualquer outra categoria de pessoas que o queiram subjugar, precisa estar "preparado" para as armadilhas retóricas.
Jesus ensinou o que é preciso para ser "feliz" em Deus e com Deus. Não necessitamos aqui reproduzir o que tão bem já se sabe. Mas a verdade é que é complexo o processo de "abertura coracional" dos mais incrédulos.

"Homem, deixa-te cair a lama do coração".

Nenhum comentário: