sábado, 26 de junho de 2010

Não se nega o que não se conhece


Se eu concordo com o pensamento de determinada pessoa, a respeito de determinado assunto, é porque a conheço, antes de concordar ou discordar.
Por outro lado, não posso dizer que não gosto das ideias de Marta, uma vez que sequer conheço alguém com tal nome. Pois seria o mesmo que dizer que não gosto de jiló sem ter ao menos experimentado jiló.
Chesterton salientou bem, quando se referiu à existência dos "verdadeiros" fantasmas que são plagiados nos falsos. Ou melhor, a prova de que existem fantasmas verdadeiros está no fato de plagiarem os mesmos com falsificações. Diria ainda que, se uma palavra, isto é, um signo, designa algo concretamente real, sendo a palavra algo abstrato e simbólico apenas, significa que as "ideias" que se faz de Deus e dos anjos, são signos a respeito dos mesmos.
A partir deste pressuposto começo aqui um artigo sobre a negação das coisas espirituais. É muito fácil negar a crença religiosa de uma sociedade, mas creio ser bem mais difícil apontar um caminho alternativamente "verdadeiro", como o proposto pela religião.
Acho muito bonito e verdadeiro a colocação sobre signo e significado extraído da linguística. Mas não por puro gosto estético; digo pela mesma razão que se acha bonito dizer que os humildes verão a Deus. Ou seja, que é um argumento puramente verdadeiro.
Na verdade, aliás, é óbvio aos meus olhos quando digo que há uma verdade que encontra respaldo na própria falsificação da mesma. Ora, não é verdadeiro que um sapato falsificado de determinada marca só prova que esta mesma marca de fato "existe" num sentido "verdadeiro"? Aqui fala-se apenas da marca, por enquanto.
Agora pare, pense, e transponha esta articulação intelectual para o plano da espiritualidade, que vive tantas rixas ideológicas.
Se eu digo que os deuses existem, como o fariam os pagãos de todos os tempos, é porque há alguma brecha na alma humana que só pode ser preenchida com tal assunto. Diria ainda que os pagãos estão como que procurando sapatos falsificados em brechós espirituais.
Os judeus já sabiam da "marca original", apesar de observarem, nos arredores, tantos e tantos brechós vendendo idolatria barata por preço de banana.
O importante aqui é salientar que a existência de deuses vem para mostrar que há um só Deus por trás de tudo isso, assim como há uma só marca original de sapatos para todas aquelas falsificações baratas.
Julgue por si mesmo: se soubesse que sua iminente compra de sapatos ou qualquer outra espécie de vestimenta seria de um produto "falso", ainda assim, tendo dinheiro suficiente para adquirir o original, faria tal compra?
Não se nega o que não se conhece. Eis a afirmação para este artigo. Você pode ser livre para não gostar de jiló, ou até mesmo torcer o nariz para quem o deguste com avivado paladar, mas não é livre para "negar" a existência deste legume.
Assim também digo que nossas ideias a respeito de Deus provém da mesma fonte evidencial.
É pelas sombras da verdade que se deduz as verdades divinas. Deus está nos moldes da existência. Está praticamente claro para mim agora.

Um comentário:

K. disse...

Você está cada dia melhor, amor!
Parabéns.