sábado, 31 de julho de 2010

Decassilabicamente

Quando do altar ele avistou sua musa
Sentada e seu violão a tocar
Cabelos qual caracol, mas que lindos!
Pediu a Deus p'ra com ela falar
Ouvindo a prece o Senhor atendeu
Deixou que com ela ele falasse
Fez dela sua amiga, e namorada
Fez com que uma musa ele ganhasse!

Coração Pirata

Coração errante
Rédeas nas mãos
Esporas nos pés
Como te atreves
A ser como és?

Escravo me faz
Das tuas paixões
Desejos sem fim
Tão vãs ilusões

Às vezes me pego
Sonhand'acordado
Pensando na vida
Pensando em meu fado

Coração pirata
Onde stá teu cérebro?
Teu Rei governante!
Não mais teu mandante?
Onde stá tua verdade?

Escravos nós somos
Das tais emoções
Que vêm dos tão cegos
Dos vis corações

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Filosoficamente

Sêneca foi um pensador, romano, tutor de Nero, político, um verdadeiro filósofo. Suas idéias influenciaram diversos pensadores e leitores.
Um dos temas que ele abordou, e que me pareceu intrigante e necessário comentar aqui, foi uma determinada emoção.
Sêneca falou da ira, bem como de sua causa e consequência na sociedade.
A ira provém, segundo o filósofo, de uma dose exacerbada de otimisto depositada nas coisas com as quais as pessoas se relacionam cotidianamente.
Tomemos o exemplo abordado pelo filósofo suíço contemporâneo Alain de Botton, em seu documentário "Filosofia: Um Guia Para a Felicidade", em que ele perfila seis filósofos, dentre eles Sêneca.
Você pode, como fez Botton, perguntar a um motorista de uma empresa de entregas, que dirige durante o dia todo, sobre como é o seu estado de humor durante o trânsito. Provavelmente ele dirá, como o fez para o filósofo suíço, que enfrenta momentos em que se vê xingando, mostrando o dedo ou gritando com as pessoas que cometem violações das leis de trânsito diante de seu veículo.
Sêneca teria dito a este motorista que ele é otimista demais. Que deveria esperar "menos" das pessoas no trânsito. Assim estaria se "preparando" para acontecimentos ruins em seu dia-a-dia.
A idéia senecariana diz que as pessoas se zangam facilmente na proporção em que seus níveis de otimismo são diminuídos pelas decepções.
Isto pode ser entendido como uma lei de equivalência lógico-emocional. Se o indivíduo crê num trânsito perfeito, onde não acontecem acidentes, imprevisões, atrocidades, desatenções e entre outras similaridades, fica totalmente sem chão e, consequentemente, furioso, se sua expectativa (otimista) do trânsito é quebrada.
Não podemos acreditar num mundo onde pessoas não desrespeitem os sinais, não dêem sinalizações, não estacionem na frente de seu portão, etc. Seria infantil e perigoso demais.
Sêneca nos apresenta, a título de ilustração, o fato de sermos semelhantes a um cão com coleira e corrente em que esta se encontra amarrada a uma bicicleta. A bicicleta representa o destino, sina, ou o que se quiser interpretar. O cão representa nossa posição perante o destino. A corrente representa nossa incapacidade de mudar nossa sina, e, por isso, devemos caminhar conforte a necessidade nos impor.
O ciclista decide então pedalar e passear para o norte, o cão, por sua vez, não tem de pensar duas vezes se deve ou não se levantar e começar a acompanhar a bicicleta rumo ao norte (mesmo que em sua volição ele anseie pelo sul). Aliás, mesmo que ele quisesse contrariar a lei da necessidade, criada pelo ciclista que pedala, só seria enforcado e não obteria êxito em lutar contra seu "destino".
Assim, sugere Sêneca, deveríamos enxergar nossa sina terrestre. No entanto temos a razão a nosso favor. Podemos raciocinar, já o cão, não.
E com nossa razão podemos inteligir sobre o que é e o que não é possível de se fazer perante as situações que nos acontecem. E mesmo que não tenhamos o poder de mudar os acontecimentos que nos ocorrem, temos o poder de mudar a forma como reagimos perante o que nos sucede.
Aceitar o que não se pode mudar e mudar como se reage às circunstâncias é, como diz Botton, o que significa ser filosófico.

Gostaria de poder mudar algumas coisas em minha vida. Gostaria de reagir diferentemente perante certos acontecimentos que me ocorrem. Mas não sou filosófico o bastante para escrever um relatório à altura filosófica.
Acho que com tudo o que foi dito até aqui, já é possível fazer uma pequena reflexão sobre as coisas que fazem parte do nosso cotidiano.
Podemos refletir sobre o que podemos e o que não podemos mudar. Mas o foco aqui, é claro, refere-se ao que se "pode" mudar.
Mudemos nossas atitudes impensadas perante a vida.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Emancipadora Prisão

Minha vida é assim
Complexa simplicidade
Mas dentro dela bem eu me sinto
Pois só preciso de um pouco de tempo
E um bom livro na mão
...
Ah!... sim!
Também você, meu amor
Imprescindível és!
Pois para mim
Basta um momento a dois
Abraçadinhos no sofá...
Curtindo do tempo o passar
Teus cabelos afagando
E em teus olhos olhar
Buscar dos lábios o doce mel
De um amor promissor
Pois a mim basta segurança ter
Casa, comida, roupa e viagem
Abraços e beijos
Nada de passagem
Tudo permanente
Como do céu o azul
Como do mar as ondas
Acima de tudo a paz
E em ti,
Meu amor...
Emancipar-me de mim mesmo
Pois me perder em ti
É encontrar minha essência

terça-feira, 27 de julho de 2010

Buscando as coisas do alto: emancipação amorosa

Quando um casal se encontra apaixonado um pelo outro, acontece dessas coisas de "meu bem" pra cá, "meu bem" pra lá, e vira um grude que nem chiclete de cinco horas supera.
Em nossa juventude vivenciamos diversas emoções. Namoramos, devaneamos, projetamos coisas que não condizem com a realidade das coisas. Mas tudo isso é algo normal de se encontrar no ser humano. Inclusive a virada de mesa que a maioria dá quando descobre que aquela paixãozinha desregulada não está dando muito certo no geral. É sempre assim. Um casal começa um namoro picante e acaba por colidir-se com uma muralha chamada "realidade".
Às vezes me atrevia a acreditar que um romance de cavalaria ou shakespeariano poderia acontecer da mesmíssima maneira na vida real. Cara no muro.
Não é bem assim que as coisas acontecem. E o importante mesmo a gente só percebe depois da experiência prática vivida na dor e no sofrimento advindos de iludidas projeções fantasiosas num pseudo e magnífico futuro a dois.
É claro que mais cedo ou mais tarde, se um casal tiver consciência das coisas e um bom senso realístico, poderá perceber que nesta vida só funciona aquilo que obedece às regras (pré-estabelecidas) da existência.
Acabamos por descobrir que felicidade não é a realização ou consumação daquela paixão sem freio em que nos metemos no passado, mas um efeito colateral de uma busca por moderação, sobriedade, temperança e equilíbrio espiritual.
Claro é que não é tão fácil buscar este tal efeito colateral. Mas devemos ter em mente que ele virá "apenas" se estivermos obedecendo à regra da vida.
E que regra é esta afinal?
Ora, a norma que representa a gramática, ou melhor, a sintaxe do sistema vital a dois: pensar em TUDO.
Sim, pensar é necessário. Apesar de não parecer tão romântico de início.
A verdade é que pensar por pensar soa muito classudo, diria então que é preciso colocar a razão antes da emoção desenfreada; assim evita-se de deixar o coração berrar as melodias que bem quiser e desafinar à vontade.
Tudo o que aqui é dito baseia-se na verdade cristã que afirma ser o correto buscar as coisas do "alto". E por alto pode-se, também, entender-se as coisas do intelecto (se relacionarmos alto e baixo com intelecto e emoção).
Enfim, é isso, busquemos emancipar-nos de nossas alienações e vãns paixões.
O ideal seria alcançar felicidade apenas eliminando pormenores insignificantes à boa conduta de um namoro.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Contemplação

De repente me levanto e percebo que mais um dia nasce. Como é espantoso o mistério de viver; de estar aqui; e poder respirar em meio a tantos seres que partilham da mesma vida.
Tudo é tão esplêndido. Tudo é tão caoticamente bom. Parece que estamos em meio a um eterno enigma.
Entre padrões, ciclos e o caos das coisas, vamos existindo. Enquanto nossos dias se passam como fumaça que se dissipa no vento. Mas o Grande Enigma parece não se perturbar com a ausência de respostas... parece até que sua natureza é exatamente esta: ser enigmaticamente assim - um pleno enigma.
Então penso que tomar consciência da própria existência - do próprio ser, do que se é e do que se faz - é viver a vida como os pensadores a idealizaram.
A cada dia o sol traz uma nova oportunidade para todos. Um novo brilho. Um novo calor. Mas às vezes me esqueço de que isto acontece todas as manhãs, por detrás do pomar de meu quintal.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Pensando...

Penso que o ser humano é cheio de faculdades que precisam, no mínimo, ser trabalhadas com cautela. Algumas das nossas principais características existenciais, como a fala, por exemplo, devem ser pautadas na disciplina que a cultura, num sentido geral, cria no decorrer dos anos.

domingo, 4 de julho de 2010

Necessidade

Sem olhos não se vê
Sem boca não se fala, nem se canta
Sem braços não se luta
Sem alma não se vive!
Que todos tenham o que precisam:
Que os elétrons tenham seus núcleos atômicos
Que a terra tenha o seu sol e sua luz-calor
Que o amor tenha coração para habitar
Que o homem tenha mulher para procriar
Que a paisagem tenha olhos para, numa pintura, se eternizar
Que as canções tenha ouvidos para ressoar
Que os castelos tenham reis para abrigar
Que o verde tenha florestas para pintar
Que eu tenha "VOCÊ" para depositar meu amor

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Das disparidades humanas - e só humanas

Demorou vinte e quatro anos, mas chegou a época em que percebi a disparidade humana. Chegou o momento de perceber, ou descobrir por si mesmo, a consciência de um mundo tão dividido. Eis a palavra: di-vi-di-do.
Nunca imaginei que me assustaria com a característica ímpar do mundo e, principalmente, do homem.
Somos seres totalmente diferentes, apesar de pertencer à mesma espécie.
Mas nunca vi ou ouvi falar de um cachorro que abandonou a "cachorrice". Por outro lado, todos os dias, ouço falar de homens que abraçaram a humanidade em si mesmos, ou seja, homens que se tornaram mais "humanos".
É absurdo ouvir tal coisa. Como pode ser assim?
Ontem sou um, hoje sou outro, completamente diferente de mim mesmo?
Nem à nós mesmos mantemos uma constância existencial?!
Que negócio é esse, afinal?
Somos tão quânticos... tão imensuráveis, inconstantes psicologicamente...
O que significa isto num crivo geral?!
Dentro das religiões... dentro da própria filosofia... dentro das escolas...
dentro das insituições políticas...
Tudo é diferente, tudo diverge entre si.
Não há uma padronização no sentido saudável. O único lugar onde encontro segurança é na natureza gravitacioanal dos planetas, pois se dependesse dos meteoros e asteróides, com certeza estaria louco.
É preciso um centro gravitacional, uma órbita segura: Deus. O Único imutável, constante, Eterno!
Se não fosse por Deus (claro ser impossível tal hipótese)não haveria constância.
Por que há tanta divergência de opiniões perante a vida?
Por que tantos e tantos pensadores pensaram coisas diferentes, conflitantes, atritantes e "faiscantes" uns para com os outros?!
Claro que é por ser o homem um ente dinâmico, racional, reflexivo, flexível ideologicamente e existencialmente (diria até naturalmente).
Mas a questão não é só esta. Penso que esta característica divergente no homem, e "só no homem", é o que causa tanto alarde e desavença humana.
O homem, segundo meu ponto de vista, é o ser caótico por natureza.

Dos muros da liberdade


Costumo dizer que tudo nesta vida é uma questão de perspectiva. Tudo depende da maneira como você observa, encara e analisa as coisas. Tudo parece ser relativo.
Apesar disto, nem tudo deve ser tomado sobre uma ótica totalmente relativista.
A exemplo desta questão, observemos o caso da religião. Você pode dizer (como muitos) que ela é uma masmorra na qual os prisioneiros se inserem "voluntariamente" para ficarem presos num emaranhado de dogmas e moral.
Pode dizer, ainda, que religião é a prisão humana em aspecto cultural, ideológico, filosófico entre outras coisas.
Mas afirmar isto significa, obviamente, que fora tomada apenas "uma" perspectiva específica e, diria, "opcional" da parte do observador.
Dizer que a igreja é uma prisão de costumes ultrapassados e coisa e tal é se julgar "livre" de costumes morais. Mas julgar a igreja por ensinar uma doutrina milenar requer uma proposta "melhor" da parte do crítico religioso. E isto nem sempre se vê por ai.
Meu amigo crítico, por exemplo, diz ter saído da igreja por ela boicotar as possibilidades de liberdade humana nos indivíduos. Ora, eu diria que ele saiu de um orfanato, porquanto filhos adotivos de Deus em Cristo, onde se tinha tudo para a sobrevivência básica e necessária, para vagar pelas ruas à procura de um abrigo "Mais seguro e melhor" para suas "perspectivas relativistas" (o que nunca existiu e nem existirá).
O que ele vê como "prisão", eu vejo como "segurança existencial". Basta observar as casas por ai. Construímos altos muros e instalamos cercas elétricas ao redor de nossas residências. Mas tudo isto por uma questão de segurança em relaçao aos ladrões. Enquanto alguém, como este meu amigo, poderia dizer que construímos prisões para nós mesmos enquanto os ladinos caminham livres pelas ruas.
Ou ele quer ser um ladrão pelas ruas, ou está falando asneiras sem significado prático algum, enquanto contrata uma empresa de segurança para instalar em sua morada um sistema "caríssimo" de proteção anti-roubo (o que é irônico perante suas críticas).
A igreja é uma fortaleza sim; mas uma fortaleza anti-loucura, anti-descrença, anti-caos, anti-desmoralização e anti muitas outras coisas.
Enquanto cristão católico, posso determinar minhas limitações como ser humano. Posso compreender, através dos ditames da moral católica, até onde posso caminhar com segurança. Enquanto os "anti-moral" caminham sem significado para suas vidas, buscando sabe-se lá o que (ou talvez apenas destruir o que já se construiu perante a humanidade e Deus); buscando apenas criticar o que já existe em termos de sociedade, de cultura humana.
Os muros de minha casa são para "determinar minha liberdade". Enquanto que se não os tivesse, os outros determinariam, à vontade, a liberdade alheia perante meus domínios residenciais!
A igreja "sabe" construir esses muros morais, sociais, ideais, etc.
Pois: assim como temos necessidade de muros para determinar até onde vai nossa liberdade no quintal de nossas casas, precisamos de parâmetros e paradigmas morais para determinar até onde nossas idéias são adequadas ao pensamento humano em sociedade.