sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Crises Atuais

O sentimento de posse que se encontra nas relações amorosas é um fenômeno característico do namoro e do casamento. Não é o mesmo que ocorre, por exemplo, nas amizades (apesar de haver pessoas que sentem uma espécie de ciúme de seus amigos). Quando um rapaz namora uma moça, ou vice-versa, o sentimento de que um pertence ao outro é, de alguma forma, algo latente no cerne da relação. É como se tal sensação já viesse junto do "pacote de namoro".
Poderíamos perguntar, então, se o sentimento de pertença não é algo advindo do "vínculo" afetivo específico entre um homem e uma mulher, isto é, uma sensação que só acontece se ambos estiverem satisfeitos um com o outro e, além disso, manterem um objetivo similar entre si.
Se tal sensação se esvaece, uma possível causa seria a divergência no foco do horizonte de expectativas de um ou de ambos. Esta divergência significaria então uma das mais importantes causas para uma "despertençalização" amorosa. Um "desvínculo" afetivo específico. Como se alguma coisa tivesse se rompido interiormente entre os dois.
Vivemos a vida buscando encontrar horizontes mais estáveis. Mas como encontrar horizontes mais estáveis se nossa maneira de agir perante a vida é desregulada? Desregrada... Desmedida...
Vivemos um caos em nossos pensamentos! E mudamos muito rápido de idéia. Hoje em dia as pessoas não costumam lutar mais por seus objetivos e sonhos.
Não se combate o bom combate em nome da própria identidade. Não se faz mais Guerra Santa em nome do que é valoroso.
Estamos relativizando tudo, deixando tudo sem parâmetros morais a não ser o parâmetro do "tudo pode".
Nossas relações amorosas estão se mesclando ao novo sistema de vida. Não estamos mais vivendo promessas, entrega, confiança, sonhos. O mundo e os dias ditam as regras agora. E quem não se enquadrar dentro deste padrão, ou seja, quem não entrar nesta onda, está perdido.

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