quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Lâmpada Enterrada


Ela tinha uma lâmpada prateada em suas mãos. Uma linda e reluzente lâmpada.
Mas certa vez decidiu enterrá-la nos fundos de seu quintal, próxima ao jardim que ela tão bem cultivava todas as manhãs.
Naquele jardim encontrava-se de tudo um pouco. Bromélias. Tulipas. Rosas brancas, vermelhas e azuis. Lírios e Bétulas. Tudo era tão vivo e lindo.

Mas aquela bela lâmpada ela enterrara. Talvez porque pensasse que assim fosse melhor para ela. Ou que fosse a única maneira de tê-la para si. Enterrada num lugar onde só ela saberia.
Não se sabe bem ao certo por quê. Mas ela não soube fazer nada além disso.
Tinha medo de mostrar aquela lâmpada cintilante aos olhos alheios. E temia a si própria perante seus próprios pensamentos. Tinha medo de si. Tinha medo!
Temia vê-la reluzir demais. Temia algo que nem mesmo ela sabia ao certo. Temia o desconhecido.
Seu medo maior era descobrir que aquele brilho provinha da Lua.

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