quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sonhando com um Sonho


Como um menino que vê uma menina no jardim do parque a brincar. Como se aquela visão primária definisse tudo o que ele sentisse até aquele momento...
E como se seu coração palpitasse ao ponto de explodir; ele olha para o céu.
Vê as nuvens de uma bela tarde de primavera. Sente a brisa a lhe tocar a serena face. Ouve os pássaros a cantar; sente o cheiro de amor no ar.
O menino tenta enxergar além do algodão que flutua em meio ao azul de opala. E ali, naquele lugar tão alto, ele direciona sua mais sincera prece.
O menino pede "Pai! deixa eu ir brincar com ela no parque?"...
E, sem saber da resposta, resolve se aproximar daquela linda menina. Dois olhares se encontram; dois corações batendo, enquanto a tarde passeia por eles.
Um breve olá, e uma rosa do jardim o menino apanha. Para a menina ele oferece.
Tímida ela a toma em suas mãos, e num gesto simples lhe agradece.
"Posso brincar com você aqui no parque?" E desvia o olhar para as bétulas e margaridas.
"Eu gostaria muito... mas... não sei se posso... papai pode não gostar!"
Um olhar triste ele lança para o sol. E de repente, voltando os olhos para aquela que trajava um lindo vestido púrpura, despede-se numa ensaiada saudação cortês.
Um dia depois. Ao parque ele vai. Sozinho. Esperando a brisa vespertina por ali passear.
Um suspiro melancólico ele lança para o vácuo de seus pensamentos. Ele era um menino feliz por dentro. Livre como um passarinho a cantar. Mas estava entristecido por não ter podido brincar livremente com aquela menina tão bonita. Por não ter tido a oportunidade de brincar com seus lisos cabelos, envoltos naquele lindo laço anilado. E por não ter podido rodopiar pela gramínea.
De repente para o céu mais uma vez os olhos ele volta, e num sussurro diz somente para si próprio:
"Pai, deixa?... Eu prometo fazer a lição de casa amanhã bem cedo. E prometo ajudar mamãe e papai. Prometo lavar meus próprios calçados. E fazer minhas orações ao lado da cama. Sim Pai. Mas deixa?!...."
E lentamtente seus olhos vão se fechando, numa brisa fresca que por ventura ali flutua. Deitando-se na grama, ele sente o vento tocar-lhe o corpo, deixando a imaginação ditar-lhe um futuro não real, porém belo como a aurora de todas as manhãs.

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