sexta-feira, 18 de junho de 2010

Matizes




Já pensou se um único lápis da caixinha quisesse imperar sobre todos os outros e ditasse a cor de todos baseando-se em sua própria cor?
Todos seriam de uma única cor. E que graça teria isso para a arte?
Qual o sentido de se pintar sempre em um único tom?
O "legal" da arte está nos contrastes...
As nuances entre as colorações é que causam o vislumbre mais impressionante. Isto é um fato de arte como o céu é azul e a noite é negra.
Mas infelizmente há pintores por ai que não sabem ou parecem não saber desta perspectiva artística. E pintam somente num tom as ilustrações de suas vidas.
Ah! se todos sentisem...
Ah! se todos fossem verdadeiros pintores pela existência.

"Precisão¹ Cirúrgica"


Há um mês passei por uma cirurgia na cravícula e, pensando sobre isto, ou seja, sobre a importância e significado de uma cirurgia para o restabelecimento do corpo, tracei um paralelo entre a minha passada situação médica e a sociedade. Em outras palavras, percebi que, assim como um indivíduo que se encontra lesado e nessecitando de uma cirurgia para voltar ao normal, também a sociedade sofre como que de fratura exposta. O sistema está corrompido. Lesado.
O problema, no entanto, está na aparente inexistência de médicos para tal caso. A sociedade é um corpo vivo, um sistema organizado composto de indivíduos racionais (aparentemente); como o próprio corpo humano individual. Na verdade, se analisarmos, tudo na natureza é parecido e comparável, pois tudo faz parte de uma mesma natureza. E é por isso que a sociedade é como o corpo humano, composto de microorganismos que fazem o sistema funcionar (ainda que mal).
Temos, por fim, que atentar para os problemas de saúde de que a humanidade padece. E isto não parece ser algo tão fácil como tratar uma dorzinha de cabeça qualquer com aspirina.
Quando falo de fratura exposta, falo de lesão séria mesmo. Politicamente, por exemplo, o Brasil sofre com as entranhas à mostra por um governo corrupto que adoece em muito o processo de atendimento público.
Eu, por exemplo, dependendo do SUS para fazer minha cirurgia, teria de esperar um mês para pegar vaga. E é claro que não iria ficar aguardando com uma cravícula quebrada. Fiz pelo método particular (acionando o DPVAT, claro). Isto mostra o quão doente está o sistema governamental no concernente ao atendimento das necessidades públicas.
Ora, afinal, o governo serve para quê?
Não é para administrar a população nacional? Não é para promover o equilíbrio entre o que se necessita e o que se paga para merecer atendimento?
Mas onde está a praticidade nisso tudo?
Está alhures... algures!!!
É fratura exposta mesmo!!! Precisamos de um cirurgião urgente. Alguém que coloque os ossos da sociedade no lugar; e costure bem para cicatrizar logo.
Enquanto ficamos com estas feridas expostas, as moscas aparecem para implantar suas larvas nas feridas abertas do sistema. Enquanto isso, o mau cheiro atinge os narizes dos críticos e filósofos mais atentos. E o sistema de saúde não parece existir para dar fim a tudo isso.
Precisamos de uma cirurgia no sistema. Para que o processo flua, com equilibrio.

¹- Necessidade.