terça-feira, 27 de julho de 2010

Buscando as coisas do alto: emancipação amorosa

Quando um casal se encontra apaixonado um pelo outro, acontece dessas coisas de "meu bem" pra cá, "meu bem" pra lá, e vira um grude que nem chiclete de cinco horas supera.
Em nossa juventude vivenciamos diversas emoções. Namoramos, devaneamos, projetamos coisas que não condizem com a realidade das coisas. Mas tudo isso é algo normal de se encontrar no ser humano. Inclusive a virada de mesa que a maioria dá quando descobre que aquela paixãozinha desregulada não está dando muito certo no geral. É sempre assim. Um casal começa um namoro picante e acaba por colidir-se com uma muralha chamada "realidade".
Às vezes me atrevia a acreditar que um romance de cavalaria ou shakespeariano poderia acontecer da mesmíssima maneira na vida real. Cara no muro.
Não é bem assim que as coisas acontecem. E o importante mesmo a gente só percebe depois da experiência prática vivida na dor e no sofrimento advindos de iludidas projeções fantasiosas num pseudo e magnífico futuro a dois.
É claro que mais cedo ou mais tarde, se um casal tiver consciência das coisas e um bom senso realístico, poderá perceber que nesta vida só funciona aquilo que obedece às regras (pré-estabelecidas) da existência.
Acabamos por descobrir que felicidade não é a realização ou consumação daquela paixão sem freio em que nos metemos no passado, mas um efeito colateral de uma busca por moderação, sobriedade, temperança e equilíbrio espiritual.
Claro é que não é tão fácil buscar este tal efeito colateral. Mas devemos ter em mente que ele virá "apenas" se estivermos obedecendo à regra da vida.
E que regra é esta afinal?
Ora, a norma que representa a gramática, ou melhor, a sintaxe do sistema vital a dois: pensar em TUDO.
Sim, pensar é necessário. Apesar de não parecer tão romântico de início.
A verdade é que pensar por pensar soa muito classudo, diria então que é preciso colocar a razão antes da emoção desenfreada; assim evita-se de deixar o coração berrar as melodias que bem quiser e desafinar à vontade.
Tudo o que aqui é dito baseia-se na verdade cristã que afirma ser o correto buscar as coisas do "alto". E por alto pode-se, também, entender-se as coisas do intelecto (se relacionarmos alto e baixo com intelecto e emoção).
Enfim, é isso, busquemos emancipar-nos de nossas alienações e vãns paixões.
O ideal seria alcançar felicidade apenas eliminando pormenores insignificantes à boa conduta de um namoro.