terça-feira, 3 de agosto de 2010

Dias Cinzentos

Hoje o dia está cinzento. Não falo no sentido simbólico, me refiro ao clima mesmo. E, em dias assim, me sinto um tanto melancólico. Sinto algo meio inexplicável. Talvez o fenômeno esteja relacionado a algum fato passado, em minha infância ou coisa parecida.
Mas a questão é que, em dias assim, tudo o que se passa pela minha cabeça é mergulhado direto no lago de meu coração, e lá é sentido.
Por exemplo: se imagino o futuro, sinto a iminência de catástrofes ambientais, sociais, amorosas, morais etc. Se imagino o passado, sou levado a lembrar das piores mazelas da humanidade antiga. Lembro também dos dias tristes de minha infância, ou dos momentos mais melancólicos de qualquer época passada mais recente. É assim, o dia influenciando-me a "sentir" tudo num tom melancólico.
Será que isto é uma característica de pessoas emocionais? Ou talvez todos sintam, em menor ou maior grau, tal influência externa...
Hoje está um bom dia para escrever. Um dia que inspira o "cinza" da vida. Sei lá. Como já disse, deve ser por causa da psicologia das cores. Cromoterapicamente diria que o cinza no céu de hoje inpira-me a cantar as canções em tom menor. A deixar sem colorir minhas ilustrações, largando-as meramente à lápis mesmo.
O frio me abraça na ida e na vinda pro trabalho. E o frio também me sussurra aos ouvidos que minha namorada está distante de mim. A quilômetros e mais quilômetros daqui.
E é nessa hora em que me lembro de quando estávamos tão próximos. Quando eu não tinha de imaginar como seria se ela estivesse pertinho de mim. Sabe, estas coisas a gente imagina só quando a namorada está, infelizmente, longe. E pensamos no quão bom eram aqueles momentos tão simples, mas tão carinhosos. Momentos que agora são memórias preciosas. E acredito que é com tais memórias que a gente cria expectativas promissoras para o futuro. Pois com estas boas lembranças a gente é capaz de sustentar nosso coração, alimentando-o com amor e esperança.