segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Das Palavras

As palavras que se escreve, nos livros, nas cartas e nos poemas. Não importa. Tudo o que é escrito ainda não é o bastante para compreender o pensamento humano. Pois não é perfeito.
É preciso mais que as palavras. É necessário a "experiência" de quem escreveu para haver "pleno" entendimento.

Interpretar um autor, um escritor, ou mesmo qualquer amador que se ponha a escrever...
Não é o suficiente, se a palavra escrita no papel for o único parâmetro de interpretação.
A verdade é que quando alguém escreve uma observação ou tese, está utilizando das palavras para expressar seu raciocínio. Mas a experiência de observação e conclusão daquilo que foi experienciado e analisado não pode ser totalmente expressa apenas com o que o vocabulário sígnico (o léxico) tem a nos oferecer.

O que quero dizer é que as palavras de um autor (mesmo se for um profeta bíblico) não serão compreendidas se não formos introduzidos na "mesma" experiência existencial que o levou a escrever.
Digo isto porque sempre há o que não é dito e nem escrito, mas que faz TODA diferença para o texto.

Se eu digo que a paixão não vale a pena (como o dirá o filósofo), é porque não tive nenhuma experiência satisfatória com tal emoção. Mas no que acabei de escrever não há nada da experiência, e sim somente a conclusão do que se experienciou.
Assim também se você quiser compreender o "porque" de eu dizer que a paixão não vale a pena, deve "sentir" aquilo que não foi dito, ou seja, ter tido a experiência de não se satisfazer com a paixão, ou melhor, ter tido experiências nada felizes com a mesma. E assim me compreenderá!

Observando os filósofos, vemos que cada um defende um ponto de vista. Suas experiências com relação à existência são totalmente subjetivas, e por isso são tão contrastantes entre si.
Mas o importante a se observar, com este post do blog, é que não compreenderei jamais a experiência de Sócrates, Platão ou Aristóteles APENAS com os escritos dos tais pensadores. É preciso entender a experiência do filósofo, e não suas palavras.
Acreditar nas palavras apenas é idolatria. Pois as palavras não conseguem ser perfeitas.

Dizer eu te amo apenas, por exemplo, não é o suficiente para amar alguém. É preciso cuidar, zelar, tratar, presentear (até mesmo com palavras, mas não somente com estas). É preciso cantar, desenhar, abraçar, beijar, se doar, perdoar... tudo isso na prática.