quinta-feira, 24 de março de 2011

A verdade é Verdade?


Engraçado o quanto fica evidente - após uma breve observação - a aversão, a antipatia ou a repulsa intelectual das pessoas em relação à quaisquer atividades que exijam um mínimo de esforço mental aqui no Brasil. Explico e exemplifico. De repente, no meio de uma aula de Língua Portuguesa, especificamente sobre Semântica, eis que me deparo com afirmações (embasadas em alguns teóricos da linguagem) do professor que não parecem completamente "pertinentes" à Verdade ontológica dos fatos da vida humana - apesar de o professor dizer que crê naquilo que acaba de nos 'ensinar' -. E, logo após tais exposições teóricas, eis que protesto com questionamentos pertinentes ao assunto em pauta que, em questão de segundos, é atacado por contra-protestos irracionais, completamente embebidos de sentimentalismos advindos da falta de reflexão da parte dos "estressados" da sala.

Ora bolas! Claro que a reação dos alunos contra meu protesto crítico (que foi mínimo e insignificante em tamanho se comparado aos de Chesterton ou Belloc em seus manifestos intelectuais) se deu por falta de "reflexão" em cima do próprio tema exposto na aula.
O que me preocupa, nisso tudo, é a falta de compromisso com a Verdade, com os estudos, com o desenvolvimento do país, com a Cultura, com a Educação, com a saúde mental de nossas futuras crianças e etc...

Pior ainda foi ter ouvido um "pode ser" ou "talvez seja" do professor quando me ouviu concluir (numa inferência lógico-dedutiva) que estas crenças-teorias semânticas atuais sobre a Verdade são a causa da RELATIVIZAÇÃO DA VERDADE NO MUNDO ATUAL!

Ninguém na sala sequer levantou a questão um mínimo que seja! Ninguém protestou, nem manifestou "ação reflexiva" sobre o tema. Sequer compreenderam a própria explicação do professor.
Que dedicação é essa?
Sinto-me sujo ao não poder ser o exemplo que gostaria de ser. Queria eu poder falar na postura de Chesterton, Corção, Belloc, Fedeli, Tolkien...
Mas limito-me a manifestar um pouquinho de revolta interior, querendo, com isto, esclarecer uma coisa:
O Brasil NÃO cultiva intelectuais!
Faltam modelos!!!
Falta "patrocínio psico-social" da parte do próprio povo.
Mas a doença intelectual da população, num geral, contém razões que a própria razão desconhece (falo da razão brasileira, claro).
Se a água de uma caixa d'água está suja acima dos 80%, devemos introduzir água limpa até que a sujeira salte fora no transbordar. É nisso que acredito para este país. Precisamos introduzir água límpida por aqui. Novos-Velhos conceitos, Novos-Velhos-Valores.

Por isso digo que resgatar é uma palavra bela e verdadeira para a atual situação nacional. Pois precisamos recuperar o tesouro que um dia brilhou com maior luminescência por aqui.
Nossos jovens tem valores, porém são como elefantes que foram adestrados pelo sistema corrompido do país. Já não fazem ideia da força intelectual que podem possuir. Ou talvez o sistema já tenha conseguido atrofiar os neurônios dos acadêmicos num nível irrecuperável para a geração presente.

Falemos então de Semântica. De Significados. Falemos da VERDADE!
Ora, pois a Verdade é o que importa aqui (pelo menos para mim).
Consultemos o dicionário Antônio Houaiss para melhor esclarecer as variadas acepções do verbete Verdade:

"Substantivo feminino
1) Propriedade de estar conforme com os fatos ou a realidade; exatidão, autenticidade, veracidade.
"

Ou ainda (leia com atenção):
"Verdade significa: a fidelidade de uma representação em relação ao modelo ou original; exatidão, rigor, precisão."

O mesmo dicionário diz também, no aspecto filosófico (que também é interessantíssimo para esclarecermos o assunto):
"Correspondência, adequação ou harmonia passível de ser estabelecida, por meio de um discurso ou pensamento, entre a subjetividade cognitiva do intelecto humano e os fatos, eventos e seres da realidade objetiva."

Bom, para quê comentar alguma coisa mais depois dessas acepções?
Fica óbvio que a Verdade é a ADEQUAÇÃO da mente humana ao OBJETO REAL com o qual se tem contato direto.
Não há como falar de algo que o interlocutor NÃO EXPERIENCIOU de alguma forma!- ficou claro?!
Por isso, é absurdo ter de ouvir certas coisas como Verdades...
Sinto muito, mas me entristece o quanto as pessoas pouco se importam, e como gostaria que fosse diferente.
Mas o espírito de realidade me anima a aceitar e a observar que, na VERDADE, tudo isso (esta melancolia e tudo mais) é natural de quem observa tais questões (clássicas da humanidade intelectual militante).

Nenhum comentário: