quarta-feira, 20 de abril de 2011

Relativismo Cultural

Discutindo a respeito de um conto lido no grupo de preparações para as aulas do PIBID (nosso programa bolsa de iniciação à Docência) expus meu parecer a respeito do conteúdo místico latente no conto "O Pássaro das Feiticeiras", lido por mim na mesa redonda do grupo - que naquele momento contemplava os contos africanos como propostas de aplicação literária para as crianças.

O conto trata de uma festa comemorativa proposta pelo rei (não citarei os nomes dos personagens africanos por não lembrá-los) a respeito da colheita do inhame. E por não ter convidado as feiticeiras, estas enviaram um gigantesco pássaro ao reinado do rei. Como o pavor havia tomado posse de todos, o rei convoca então os melhores guerreiros para tentar aniquilar a ameaça alada. Mas todos falham (apesar de terem prometido que cumpririam a missão, e que se não conseguissem poder-se-ia tirar-lhes a vida). Surge ai um guerreiro, filho único, com uma única flecha na aljava. Sua mãe estava tão aflita por medo de perder o filho unigênito que fora consultar um adivinho. O vidente alertou-a sobre a possibilidade de o filho único morrer ou ficar rico. E, obviamente, como a mãe não queria o filho morto, seguiu o conselho do vidente ao pegar uma galinha e apunhalar-lhe o peito em sacrifício oferecido às feiticeiras. Lá no reinado, ao redor do palácio, o pássaro, que nesse momento atemorizava a todos, fora atingido pela flecha única do guerreiro (no exato momento em que a mãe do herói apunhalava o peito do galináceo).

Bom, como cada um dos acadêmicos do nosso grupo deveria falar um pouco sobre o conto lido, comentei então sobre a cultura africana latente no conto que li. O fato de a mãe do rapaz ter sacrificado uma galinha, em nome da salvação do próprio filho, mostra o uso de ritualismos sanguinários para a tentativa de solução de conflitos e tensões existenciais. Os africanos possuem uma cultura Vuduística auto-evidente.
Critiquei tal detalhe (sobre os rituais) no conto e apontei a diferença deste conto para os contos de fada "cristianizados" em que as situações de tensão são resolvidas através de uma força de vontade do indivíduo protagonista (ou não) na estória, e por meio de um compromisso com a Vida.

A professora, numa tentativa "apologética" de defesa à cultura ritualístico-africana, buscou salientar que aquilo era apenas um ícone da cultura da África - tão desprezada e marginalizada pelo homem-branco-cristão-católico que lá se instalou.
Disse também que não deveríamos ver a questão da prática "Vudo" como algo meramente "ruim", mas como elemento naturalmente cultural de tal povo. Ora, isto cheira a "relativismo cultural" PURO!
Acaso já não temos mais pessoas bem esclarecidas sobre questões culturais neste país? Onde estacionou-se nosso senso crítico-moral?
Percebo um certo receio moral ao se levantar questões pertinentes à cultura alheia. As pessoas parecem ter perdido o espírito de guerreiros. Já não tem "peito" para a Guerra Santa. Falo assim para salientar a necessidade de pessoas que realmente façam diferença no mundo. Pessoas que não temam falar a VERDADE. E aqui entende-se a Verdade como "Cultura Verdadeiramente Perfeita".
Sim, pois na concepção "mundana", a cultura é relativa e não tem diferença perto de nenhuma cultura alheia. Isto se mostra evidentemente falso quando observamos o que Jesus fez por nós e o que foi dito a respeito da Verdade e do Amor.

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