terça-feira, 31 de maio de 2011

Grosélias

Como é bom ler um comentário produtivo sobre nosso autor favorito. Descobrir pontos de vista antes nunca observados; reflexões nunca antes feitas por nós. Ler nas entrelinhas do "nosso" autor, junto de alguém mais experiente que a gente - o bom crítico.
Pois é. Hoje fiquei sem aula na faculdade. A professora simplesmente estava na sala do colegiado de Letras, ocupada com a reconfiguração dos horários de nossas aulas semanais; o professor Alberto também não deu aula, e por isso ficamos dispersos. Cá estou, então, às 22:02, escrevendo para passar o tempo na Coordenação de Ensino (onde trabalho todos os dias). Após ter ficado a ler Michael N. Stanton na bibloteca durante as duas primeiras aulas e depois zanzado um pouco pelo campus da facul. Muitos pensamentos, como sempre, povoam minha cabeça durante essas caminhadas.
Lá no DCE está acontecendo o "Educação Física é Show" (um evento semi-artístico do curso). Dei uma passadela por lá, mas estava tão artisticamente insuportável que preferi respirar ares mais puros ao caminhar sozinho pelo estacionamento dos professores.
Hoje é um dia como qualquer outro, mas acho que deve haver algo mais insignificante nele: não aconteceu nada de mais em relação à semana ainda. Talvez eu esteja anestesiado com o dia, ou talvez seja simplesmente minha consciência observando a própria idiossincrasia perante o dia que se passou.
Enfim, meu cérebro está em modo de espera (a espera de um milagre: ALGUÉM em Paranavaí, ao meu redor, mostre a CONSCIÊNCIA intelectual da Vidaaaaa!!!).

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Erostice


Querer não é poder
Poder não é querer
Querer é só saber
Que um preço tudo tem!

Gostar não é Amar
Um beijo Amor, e vem
Se for tão frio o ódio
Daquilo que convém

Tristeza habita o escuro
De um triste coração
Ausente de notícias
Que conta a Emoção

Teus olhos me fascinam
Num tempo já passado
E agora assassinam
Um Bem que foi amado!

Por que te foste longe...
Se aqui amor já tinhas...
Agora vivo incerto
Das Luas que eram minhas!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

No Tears - No Repentence

Sem lágrimas contrição não se vê
Num coração deveras arrependido
Pois que com Palavras "somente"
A Verdade pode ser ocultada
Aos olhos dos que precisam sabê-la

Sem abatimento no semblante não se vê
Sinceridade no "Pedir-Perdão"
Pois que Deus só quer um Ato
Mas quer um Ato de Amor
Amor contrito, arrependido de Ser
Pecador por tantas vezes

Culto ao Pai, ao Santíssimo Deus
Não se faz com louvor apenas.
Pois que o perdão é necessário pedir
Antes de aclamar a um Deus tão Santo,
Antes de comemorar dEle a Divina Ressurreição!

Mas vós não sabeis ainda...
Logo se vê que não atentais
Para a Verdadeira forma de se aproximar
Do Altíssimo Deus

Com Louvores minha boca bendirá a Deus;
Logo após, contrito, me prostrar eu Seu Altar!
Após, arrependido, eu chorar!
Ensinando meus irmãos a adorar,
Evitando de mim os equívocos de outrora

O Marujo

Ele era um navegante, um marujo dos altos mares. Alguém que adorava o mar e as ondas. Não queria outra vida, senão aquela. Navegar. Sempre a navegar.
Um dia, ao se preparar para mais uma expedição marítima, seus amigos o observavam, e, aproximando-se dele, questionaram seus motivos mar-aventureiros. Ele os olhou atônito, consternado, e devolveu-lhes o questionamento com uma pergunta: "quem sou eu para vós?"
E assim surgiu a primeira contenda entre o marujo e seus amigos. Pois que não entendiam a pergunta, mesmo tentando responder que ele era apenas um maluco do mar. Alguém sem fundamento e sem objetivos concretos na vida. Alguém que só queria navegar e "boiar" pela existência.
Navegar era algo que despertava um senso de equilíbrio naquele navegante. Algo como estar consigo mesmo no lugar próprio de sua alma. Lá era o lar de seu coração. O mar trazia a sensação de conquista, de procura. Mas o que ele fazia senão buscar por algo? Estava sempre procurando por novas terras. Por algum lugar ainda inabitado por homens. Quem sabe uma ilha deserta na qual pudesse montar sua tenda.
Certo dia, navegando com seu barco, avistou uma pequena ilha, rodeada por brumas. Um lugar meio sinistro, aterrorizante. Ali ele atracou o barco. Caminhou pela encosta, observou atento e curioso o lugar. Nada parecia familiar, mas simultaneamente ele se sentia em casa.

domingo, 22 de maio de 2011

Portos Cinzentos


De repente meus olhos
Novamente olham para aquela direção.
Há um minuto atrás, e...
Leste!
Agora, novamente para o Oeste!
Que será então de minha jornada, oh Céus!
Dubia, dubia!
Mas talvez do sono esteja eu desperto
E dos tentáculos devaneísticos me encontre liberto!
Reality! Reality!
O Mundo assim é
A Vida é assim!
Para a realidade da Vida devemos caminhar
Para os Portos Cinzentos
Onde a alegria sincera habitar!

terça-feira, 17 de maio de 2011

La musique

Na postagem sobre "reagentes químico-sociais" eu disse que continuaria o texto, mas, pensando bem, acho melhor mudar um pouco a comparação para variar de exemplo.
Hoje vamos exemplificar com a música e seus atributos. Vamos pensar sobre as relações intrínsecas entre os sons (racionalmente) organizados e o pensamento humano em geral.

Bom, para começar este assunto, é necessário ter, ainda que minimamente, uma noção de teoria musical; pois será impossível fazer a comparação interna entre música e pensamento humano.
Nós, músicos de plantão, que tocamos em quaisquer tipos de eventos, sabemos que é preciso ensaiar bastante para desempenhar com maestria uma boa canção. Do contrário haveria muitos descompassos e erros em geral. Aliás, o público acabaria por desconsiderar o nosso trabalho artístico.

Mas pensando um pouco na forma como a música acontece, isto é, como o campo harmônico atua nos ouvidos humanos e, assim, impressiona a alma do homem, é intrigante a relação que há entre as concatenações harmônicas e as relações sociais. Um Dó Major (o acorde) só pode ocorrer no momento em que, estando a quatrocentos e quarenta Hertz, uma nota se une a outra e mais outra (formando uma tríade com intervalos matematicamente organizados). Do contrário seria impossível haver C (Dó Maijor).
Uma única nota é uma sequência de vibrações pelo ar, algo que, fisicamente nos toca a carne, mas que repercute na alma dos mais atentos e sensíveis. Se esta nota não caminhar padronicamente dentro de uma determinada "escala", acabará por desentonar a canção que estiver sendo tocada. Isto significa que, as desafinações ou desentonações musicais são bons materiais comparativos para se contemplar as mazelas das relações sociais.

O homem se relaciona com outro por interesse ou necessidade. E o que dizer do Amor... Ahan! chegou um ponto importante e definitivo para esta postagem!
O Amor é uma substância (diria) espiritual que une as pessoas para gerar outras pessoas. Poderia me estender além desta pequena definição, mas paremos na parte da relação matrimonial por enquanto.
Um casamento, por exemplo, é um momento decisivo na vida de um homem ou uma mulher. E se continuarmos com a referência musical, poderemos dizer que cada um de nós é uma notinha solitária, que espera formar acordes (famílias) na canção da existência, da vida.
Pode acontecer, porém, de alguns viverem (opcionalmente ou não) sozinhos a vida toda. Seria o mesmo que uma pessoa "solo". Carreira solo. E este termo já diz tudo. Solo é singular, é uma só nota que caminha pelas escalas do campo harmônico.
Assim, o importante é formar um belo acorde para completar a carreira musical da vida.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Complexidade Cósmica - da Alma

Oh! Céus!
Como se não bastasse
Do Universo a complexidade cósmica
Também dentro do Homem se encontra
Universo paralelo,
Dentro de mim:
Um mundo equivalente ao de fora

Entre paradigmas e Leis
Dentre tantas coisas
Neste espaço interno:
O Mundo da Alma!

Confuso e perdido me encontro
Lá, onde se encontra o espelho que reflete
A Vida que aqui fora vivo...
Pois é lá onde ecoam as vozes da consciência
Deste indignado Poeta!

Se perdido dos incompreendidos sinais
De um olhar-oculto...
Se nostálgico é o beijo da Noite
Ao sabor da Lua Prateada...
Se confuso ao olhar do Verde-Azul-Mar...
Ah! cruel Complexidade Cósmica!
Oh! complexo universo interno!

De Ti quero resposta
Oh! Alma-Profunda!
O que ocultas ai dentro?!
Falo de Ti, sim, falo de Ti!
Oh! musa perene dos meus sonhos de outrora...
Oh! ser incompreensível...
Filha dos Astros noturnos...
Filha da Rainha da Noite!
Reflita, reflita!
Reflita em mim o brilho da Lua,
E ilumine as trevas
De minha ignorância
Com dizeres tão claros!

Pois que de Ti já não mais sei
Nem se o que sentes é Vida ou Morte...
Talvez do silêncio em Ti a Sorte:
Dizer quiçá do Amor perdido no Tempo;
E a razão de para o Deserto caminhar...

domingo, 15 de maio de 2011

Estação

Muda, oh Estação, Muda!
Traga o Inverno novamente,
E aqueles dias passados
Dias cinzentos,
Sim, nublados e melancólicos dias...
Mas dias felizes!
Instantes de mistério
Focos convergidos...
Ah! oh Estação, Muda!
Traga novamente aquela fragrância...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Agentes e Reagentes - Quesito Social

Assim como os reagentes de uma composição química qualquer, somos nós seres humanos. Poderia dizer ainda que cada indivíduo possui suas "propriedades químicas reagentes" específicas, pelas quais as relações sociais tomam suas determinadas características.
Uma relação social é como a relação química entre H2 + O. A somatória de uma substância com outra dá numa nova substância, e esta, ao se unir à outra essência, forma um outro elemento. E assim por diante.
Se eu me relaciono com determinada pessoa, com certeza nós teremos nossas peculiaridades discursivas e relacionais em geral. Isto significa que a cada vez que me relaciono com uma pessoa diferente, surge uma química social diferente. E é por isso que se diz aqui dos "reagentes sociais".
O importante, em toda essa conversa "químico-elemental", é notar o quanto a comparação pode ser pertinente para uma profunda compreensão dos padrões de relacionamento social. Dai poderíamos nos debruçar sobre as estruturas socio-ontológicas da amizade (ou inimizade), do namoro, da relação professor-aluno, dos interesses individuais de cada conversação entre duas ou mais pessoas e etc.

Observando minha própria vida social, percebo que com algumas pessoas tenho uma "química" específica no diálogo, nas gesticulações, nos sentimentos, nas ideias, enfim, em uma série de fatores externos e internos. E, basendo-me na ideia da comparação química para compreender melhor minha existência (como indivíduo social), noto que há momentos-pessoas (em) que geram em minha psique determinadas reações emocionais ou ideológicas. Como se tivesse ingerido alguma substância nociva ao bem-estar, ou benéfica (quando com amigos, por exemplo).
Se encontro uma namorada (visto que estou solteiro no momento), por exemplo, isto se dará por uma série de fatores químico-sociais que certamente terão efetivado o enlasçamento de uma relação amorosa.

Bom, a química é uma boa ferramenta (além de científica) comparativa para analisar a vida humana, bem como das relações sociais.


(continua)...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Indignante Mácula ao Espírito


Como ousam a existência conspurcar
Oh! infames criaturas!
Acaso fazeis menção do Bem a que faltam?
Pois que a Virtude é uma dádiva dos Gladiadores
Não uma Graça concedida aos ociosos...
Intelectos vadios!
Como se atrevem a bradar suas ignóbeis conquistas
De Nada...
De vil interesse?!
Como ousais!
Oh! almas indolentes...
Lânguidos estão vossos espíritos por dentro
Enquanto nesta carapaça vos refugiais:
"Sistema-Capital"!
Como ousam a magnífica existência conspurcar
Com vossos pensamentos imundos
Faltosos de asseio em si mesmos
Como podem assim ser?!
Melhor não sou por dizê-lo
Mas indigna-me o intelecto
E o coração
Contemplar tamanha indiferença
Em tão magníficas criaturas
Que em asquerosos répteis se converteram
Por amor ao vão:
Fúteis anseios humanos!

Oh! acadêmicos...
Como se atrevem a fingir que não é convoso
Os apelos da Sabedoria dos Sábios Antigos?!
Gente de pouca fé!
Fariseus do "hoje-em-dia"
Maculadores da própria Alma
Tragam veneno com semblante de que um bom vinho apreciam!
...

De um bom banho, saibais,
Todos precisais agora!
Pois que para os dias e a Vida
Com tamanha indiferença poderdes contemplar
Maculadíssima e enlameadíssima tem de estar vossas vistas

Lavai então os olhos com água límpida
Oh! meus irmãos!

De Mim


De mim não digo
Senão um pouco somente
E antes que me tarde dizer
Das coisas que aprecio
Um pouco aqui já o expresso
Que um dia amei e aprendi o Amar
E num dia chorei e aprendi a Chorar
Pedindo arrego enquanto lágrimas ao chão vertia
Consolado pelo silêncio apenas
E o escuro de um esguarnecido quarto...
De mim não digo
Senão um pouco somente
Do muito que penso
E assim, do muito que sinto tente
Ser compreensível para com o Lago Profundo
Que oculta de si o Fundo Leito
Onde guarda de si a Essência
Talvez seres marinhos
Das salubres águas oceânicas
Refugiados
Ou quiçá algas venenosas
Cujo teor nocivo se altera
Conforme o gesto no olhar...
De mim não digo
Senão um pouco...
Um pouco, somente...
Fale de ti...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vislumbre


O que vês além do horizonte
De teus anseios amorosos
Não é mais que um Belo-Poema?
Ou seria mero sarcasmo de um coração?
O que sentes pela derrota da Aurora Amorosa
Não é, acaso, teus momentos de realismo existencial...
Quem sabe a pena de si mesmo
Oh! Vítreo coração!
A quem falo, senão a mim mesmo?!
Oh! Virgem musa
Também a Ti me dirijo agora
Pois tão grande és teu cabelo em meus devaneios
E tão sublime o teu ornamento indumental!
Vejo-te assim:
Serena como a Lua em prata pura...
E num lapso... comento a mim mesmo:
Dá-me de teus lábios
O doce néctar dos Sonhos
De um viajante solitário...
Que anseia encontrar da Morte
De seus tormentos a Vida-Nova!
E num vislumbre do Horizonte Infindo
Encontrar a Paz
Contigo!

domingo, 1 de maio de 2011

Crítica Moderna - Mundividência Pt II

Uma coisa tenho observado ultimamente. Que a Verdade dói deveras nas pessoas. Acho que somente um santo, realmente, poderia comprazer-se com ela. Somente um santo, um sábio. Pois que o sábio se regozija com a Verdade em seus ouvidos. Qual consciente enfermo que se alegra ao beber do cálice amargo do antídoto para sua infecção. E quem não quer ser curado ao estar doente?
Mas quem quer sentir dor? Eis o primeiro equívoco humano, principalmente observável na mais tenra infância. As crianças detestam passar pela experiência da vacinação. O motivo é óbvio: não querem sofrer a dor que isto lhes proporciona. Mas convenhamos, nós adultos, que a vacina é um BEM para a criança. No entanto o pobre enfermo, quando criança, não quer raciocinar (até porque não o consegue por conta de sua imaturidade cerebral) sobre a necessidade de se ter de passar por tal dor (vacinar-se).
Mas e nós, adultos, não concordamos então que nem sempre o Bem é "gostoso"?
Baseando-se na ideia da vacina, não deveríamos supor que as vacinas morais são idênticas em todos os aspectos de uma injeção contra tétano?
Por que se alarmar quando dói nos ouvidos da alma a Verdade?!
Por que fazer cara feia quando alguém diz uma Verdade que não está mais sendo pregada e tampouco seguida como Lei?!
Nossa indiferença me leva a questionar se ainda não estamos idênticos à criança que não quer ser vacinada contra um vírus!
Sim, pois que não queremos ser vacinados, ou seja, receber anti-corpus contra os vícios do pecado!
Pois, no caso infantil, cabe aos pais da criança "pensar" por ela e "agir" por ela.
Mas e quanto a nós, adultos, não estamos, por nossa vez, na condição de educadores? De gente madura? Se já temos a adultescência, já temos a razão, mas que nem por isso agimos de acordo com tais atributos. O que fazemos? Deixamos amortecer-se e anestesiar-se nossos receptores e detectores de fatores nocivos externos. Até quando o mundo dormirá?

Penso que o anestesiamento se dá em massa, isto é, em grande escala. Uma boa margem da sociedade padece de amortecimento da Alma. E falo amortecimento literal. Perdem-se tão facilmente em troca de cédulas e mais cédulas. Ou talvez por prazer e diversão. Oh! céus!
Quando alguém aparece querendo defender a Verdade, ou seja, falando de religião, de Deus, de Jesus, de condenação, Paraíso, Purgatório e Inferno... as pessoas torcem o nariz. Como se o "abafamento" da verdade tivesse dominado até o senso comum. E já não se pode mais falar em Verdade objetiva pelas ruas. Você corre o risco de ser preso e torturado nas masmorras modernas. E isto seria visto como "normal". Pois que fora normalizado pela massa. O certo se tornou errado. E errado se tornou "legal"(literalmente). E o que leva à perdição espiritual se tornou objeto de almejo dos que buscam salvação (enganadamente).