segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Marujo

Ele era um navegante, um marujo dos altos mares. Alguém que adorava o mar e as ondas. Não queria outra vida, senão aquela. Navegar. Sempre a navegar.
Um dia, ao se preparar para mais uma expedição marítima, seus amigos o observavam, e, aproximando-se dele, questionaram seus motivos mar-aventureiros. Ele os olhou atônito, consternado, e devolveu-lhes o questionamento com uma pergunta: "quem sou eu para vós?"
E assim surgiu a primeira contenda entre o marujo e seus amigos. Pois que não entendiam a pergunta, mesmo tentando responder que ele era apenas um maluco do mar. Alguém sem fundamento e sem objetivos concretos na vida. Alguém que só queria navegar e "boiar" pela existência.
Navegar era algo que despertava um senso de equilíbrio naquele navegante. Algo como estar consigo mesmo no lugar próprio de sua alma. Lá era o lar de seu coração. O mar trazia a sensação de conquista, de procura. Mas o que ele fazia senão buscar por algo? Estava sempre procurando por novas terras. Por algum lugar ainda inabitado por homens. Quem sabe uma ilha deserta na qual pudesse montar sua tenda.
Certo dia, navegando com seu barco, avistou uma pequena ilha, rodeada por brumas. Um lugar meio sinistro, aterrorizante. Ali ele atracou o barco. Caminhou pela encosta, observou atento e curioso o lugar. Nada parecia familiar, mas simultaneamente ele se sentia em casa.

Um comentário:

K. disse...

A descrição da ilha continua?
Seja lá o que a metáfora represente, talvez não seja tão lúgubre o lugar, para se sentir "em casa", deve ter lá sua beleza. ;)