terça-feira, 21 de junho de 2011

Burlando a Realidade

A produção literária depende da experiência existencial do escritor. Isto é óbvio. Não é preciso aderir a uma teoria literária para refletir ou embasar um pensamento sobre tal questão. O que acontece (nas universidades) ultimamente é que as pessoas (falo de pessoas bem formadas como, por exemplo, professores e críticos) estão perdendo o senso de realidade. O que seria isso?
O senso de realidade provém de uma reflexão feita a partir de uma estreita relação do indivíduo pensante com a própria vida (e não com manuais didáditos cheios de teorias abstratas e longes da vida real).
Vamos partir de um exemplo claro e objetivo para elucidar o que estou a dizer.
Na Universidade de Maringá há uma professora minha que está concluindo o Mestrado. Segundo as informações que ela me passa, os mestrandos de sua sala dizem que não estão se mestrando para atuar em sala de aula. O objetivo da maioria é produzir como pesquisadores, ir para o exterior, escrever artigos sobre "Educação" e etc.
Observe um fato interessante: são exatamente estes futuros mestres os escritores dos manuais de Pedagogia para serem postos em "prática". O quê? Em prática?
Como podem falar de prática se só vivem enclausurados numa sala com um computador, escrevendo sobre coisas com as quais não possuem experiências empíricas?!
É disso que estou falando quando digo que muitos perdem o senso da realidade.

Engraçado que hoje o MEC já está instigando o sistema de ensino brasileiro a acatar as variedades linguísticas das diversas classes sociais (variedades estas causadas por uma "imperfeição" dos falantes na aquisição das normas da língua e não um fator meramente cultural das diversas regiões do país).
Conceitos como "Certo e Errado" estão caindo do uso. Agora estão inserindo novas concepções de linguagem e comunicação.
O que importa agora é ser compreendido, e não buscar o aperfeiçoamento da expressão linguística. Também o papel do professor de língua materna estará em grande risco, podendo ir parar numa clausura sistêmica.
Há uma falta de noção da realidade da parte destes críticos. E o pior é que estão transmitindo tais propostas metodológicas com a propaganda enganosa de serem "realistas".
Entristece muito saber que a maioria busca o "errado" (uso o termo sem medo de "errar").
Se, por exemplo, o aluno não der a resposta almejada pelo professor numa avaliação, valerá alguma coisa trocar o termo "resposta errada" por "resposta inadequada"?
Não. o que o (novo) sistema está a fazer é mais ou menos uma trapaça.

Um comentário:

K. disse...

Gostei. Não. Na verdade, amei!
Parece que encarnou o Monir falando no primeiro bloco! Hey, é isso aí! Não ao mau uso da língua! Que merda, então a exceção vira a regra e o certo vira errado - assim como a boa prática cristã "virou errada" nos dias de hoje. O negócio é declarar guerra a essa mediocridade e torcer para vencer a inércia dessa massa quase virgem de exercício intelectual. Ai, infeliz população brasileira desafeiçoada ao saber como meio para melhorar o mundo e como finalidade, em se tratando de gozo e beleza.
Aonde foram os poetas jovens? Aonde foram os matemáticos brilhantes? Aonde foram os artistas?
Foram todos para a escola e os professores fizeram o "favor" de matar a criatividade de quase todos eles. Quem ficou "imune" foi taxado de louco e excluído - trocou-se o mérito pelo desprezo e isso sim é loucura!