quarta-feira, 4 de maio de 2011

Indignante Mácula ao Espírito


Como ousam a existência conspurcar
Oh! infames criaturas!
Acaso fazeis menção do Bem a que faltam?
Pois que a Virtude é uma dádiva dos Gladiadores
Não uma Graça concedida aos ociosos...
Intelectos vadios!
Como se atrevem a bradar suas ignóbeis conquistas
De Nada...
De vil interesse?!
Como ousais!
Oh! almas indolentes...
Lânguidos estão vossos espíritos por dentro
Enquanto nesta carapaça vos refugiais:
"Sistema-Capital"!
Como ousam a magnífica existência conspurcar
Com vossos pensamentos imundos
Faltosos de asseio em si mesmos
Como podem assim ser?!
Melhor não sou por dizê-lo
Mas indigna-me o intelecto
E o coração
Contemplar tamanha indiferença
Em tão magníficas criaturas
Que em asquerosos répteis se converteram
Por amor ao vão:
Fúteis anseios humanos!

Oh! acadêmicos...
Como se atrevem a fingir que não é convoso
Os apelos da Sabedoria dos Sábios Antigos?!
Gente de pouca fé!
Fariseus do "hoje-em-dia"
Maculadores da própria Alma
Tragam veneno com semblante de que um bom vinho apreciam!
...

De um bom banho, saibais,
Todos precisais agora!
Pois que para os dias e a Vida
Com tamanha indiferença poderdes contemplar
Maculadíssima e enlameadíssima tem de estar vossas vistas

Lavai então os olhos com água límpida
Oh! meus irmãos!

De Mim


De mim não digo
Senão um pouco somente
E antes que me tarde dizer
Das coisas que aprecio
Um pouco aqui já o expresso
Que um dia amei e aprendi o Amar
E num dia chorei e aprendi a Chorar
Pedindo arrego enquanto lágrimas ao chão vertia
Consolado pelo silêncio apenas
E o escuro de um esguarnecido quarto...
De mim não digo
Senão um pouco somente
Do muito que penso
E assim, do muito que sinto tente
Ser compreensível para com o Lago Profundo
Que oculta de si o Fundo Leito
Onde guarda de si a Essência
Talvez seres marinhos
Das salubres águas oceânicas
Refugiados
Ou quiçá algas venenosas
Cujo teor nocivo se altera
Conforme o gesto no olhar...
De mim não digo
Senão um pouco...
Um pouco, somente...
Fale de ti...