sexta-feira, 23 de março de 2012

Complexidades Relacionais - Vislumbres Sociais/Relacionais/Afetivos

Das Faltas e "Pisões na Bola" para com os Outros


Quando falhamos com as pessoas que amamos surgem questões de difícil tratamento, caso se tenha pouco tempo para se pensar a respeito. Em primeiro lugar porque pode ser que haja algum grau de inocência da parte daquele que "pisa na bola" - e, por outro lado, muitos graus de culpa, evidentemente.
No caso em que o culpado possui, ainda que minimamente, certa inocência, se torna complexa uma justificação. Isto se dá pelo teor "imperdoável" que a culpa faz pesar sobre o réu. Pois se doutra forma, não haveria atrito nem acusação.
No caso de um casal de namorados - em que o namorado deixou de ligar para avisar a namorada que o almoço teria de ser adiado em uma ou duas horas - a questão se torna ainda mais elucidativa.
Peguemos este caso como "cobaia" para ilustrar o quanto esta questão é complexa. Em primeiro plano, podemos dizer que ambos, namorado e namorada, participam de uma relação de sentido e sentimentos. Alguns motivos (por estarem lado a lado na vida) se dão pela amizade que os une. Outros, pela capacidade de fazer o outro sentir prazer (em N modalidades) ou ausência de sofrimento. Outro ainda, pelo valor que um demonstra para com o outro em aspectos gerais.
Pegando este último exemplo como ponto de apoio, analisemos por um segundo a questão da fidelidade e permuta nas ações dos casais.
Se a namorada dá uma barra de chocolates para o namorado, isto significa, para ele, que ela gosta muito dele e resolveu gratificá-lo com um doce, ou seja, para lhe dar um certo grau de prazer na vida (gustativamente falando).
Se o namorado, por seu turno, dá flores à namorada numa tarde de sábado, para a namorada, significa que ele é romântico ou que se importa com a manutenção do relacionamento como um todo (mas pode estar tentando alegrá-la por ter-lhe ferido os sentimentos num dia anterior qualquer).
Se nossas ações provam os valores atribuídos por nós às coisas e pessoas, poderíamos dizer, então, que a quantidade de ações agradáveis que um faz pelo outro denotaria o grau de valor e amor entre ambos?
Mas a questão se torna delicada a medida que as "faltas" cometidas são irreversíveis no plano temporal. Somente voltando no tempo seria possível resgatar aquilo que se perdeu com a dita "falta". Ou seja, não há como aprendermos tudo em um mesmo momento. Talvez até demore mais do que imaginamos. Talvez a pessoa amada só significará o que realmente deveria ser evidente que significa desde o princípio de uma relação, ao decorrer do segundo ou terceiro ano de namoro. E isto nos faz pensar sobre como queremos as coisas ao nosso redor.
Se 'pecamos' para com o outro, não basta pedirmos perdão. Temos de 'querer mudar' e fazer melhor, fazer 'certo' da próxima vez [quando esta existe], não é assim?! Pois então, a questão, agora, é decifrar como resgatar o momento perdido de fazer algo que, por segundos, passou pela cabeça, mas que, em segundos de bobeira, vácuo, vazio, se perdeu no passar das horas e minutos...

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